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Utilização do estádio municipal de Leiria divide opiniões
As opiniões divergem quanto à sua utilização, mas todos concordam que o Estádio Municipal de Leiria está subaproveitado. Construído com capacidade para acolher 25 mil pessoas, o estádio apresentava, no final de 2009, uma 'factura' para a câmara de Leiria acima dos 90 milhões de euros. A utilização do Magalhães Pessoa é, pois, questionada por diversas associações e mesmo pela população, deixando ao Diário de Leiria algumas sugestões para a sua rentabilização. Recentemente, o presidente da administração da Leirisport, Leonel Pontes, colocou como cenário possível a transformação do estádio num pavilhão multiusos, numa tentativa de rentabilizar a sua utilização. Paulo Sousa, presidente da Acilis - Associação Comercial e Industrial de Leiria, Batalha e Porto de Mós - defende a rentabilização do estádio "de várias formas", desde o atletismo, ao futebol, passando por eventos culturais. "Dá para muita coisa que não se tem feito, aproveitando Leiria como centro do País", disse ao nosso jornal. Paulo Sousa considera que "utilizar o estádio só para espectáculos culturais parece uma ideia perigosa", defendendo, por isso, a realização actividades de diversa índole. "Supondo que o estádio era rentabilizável", Ribeiro Vieira, presidente da Nerlei - Associação Empresarial da Região de Leiria - partilha a sugestão de transformar o espaço num pavilhão multiusos, apesar não estar tecnicamente preparado para o afirmar. "Penso que tudo o que for para reduzir o custo público do estádio de Leiria é uma solução viável, incluindo se fosse necessário, a sua implosão, porque é uma obra de arquitectura deplorável e com a qual sempre fui contra pelo custo que tinha", disse Ribeiro Vieira, mostrando-se "sempre favorável à utilização do estádio para outros fins". Ribeiro Vieira mostra-se ainda "preocupado com os custos do estádio e da Leirisport", defendendo, por isso, que a empresa municipal fizesse parte de uma divisão da autarquia, "um serviço da câmara de Leiria que permitisse reduzir os custos". Anabela Graça, presidente da Adlei - Associação para o Desenvolvimento de Leiria - tem registado o aparecimento de várias propostas que, na sua opinião, "precisam de ser consideradas do ponto de vista da sua viabilidade". "As soluções apresentadas têm de ser devidamente estudadas para, assim, com mais acerto, podermos dar uma opinião", referiu Anabela Graça, considerando, porém, que a Adlei iria ver, "com muito interesse, o surgimento de propostas que contribuíssem para a dinamização e sustentabilidade económica do estádio municipal".
Associações desportivas defendem modalidades
Júlio Vieira, presidente Associação Futebol de Leiria, sempre olhou para o estádio como "a maior sala de espectáculos da região". "Uma vez construído, era fundamental que se tivesse essa visão e se encontrassem formas para torná-lo mais rentável. Há muita coisa que acontece naquele estádio e que as pessoas não sabem", disse, considerando que o espaço "tem estado subaproveitado". "Penso que rentabilizá-lo seria através do desporto e da cultura", defendeu, considerando, porém, que "abandonar o futebol e transformar o equipamento apenas e só num pavilhão multiusos parece de difícil execução e não foi a função primeira dos investimentos". "Ideal era conciliar as práticas desportivas com as actividades de índole cultural, permitindo um acréscimo de receita. Era a solução mais adequada", salientou. Opinião diferente tem Aníbal Carvalho, presidente Associação Distrital de Atletismo, que defende a "dinamização de mais competições distritais e nacionais para potenciar o equipamento e ganhar gosto pela prática desportiva". "Penso que também se podia inserir o estádio em circuitos pedonais", sugeriu, aquele responsável, defendendo a rentabilização do espaço através da prática desportiva, nomeadamente na área do atletismo, e na captação de estágios e utilização do Centro Nacional de Lançamentos. Para José Benzinho, ex-administrador da empresa municipal Leirisport, "tudo o que passa por atrair para Leiria eventos de maior dimensão, sejam jogos de futebol da selecção nacional, ou os campeonatos da Europa de atletismo, são importantes". "Na área do desporto, tem de se continuar a fazer um esforço para os atrair para Leiria e, no futebol, um esforço ainda maior para atrair mais espectadores, que não compete à Câmara Municipal ou à Leirisport", disse ao nosso jornal. "Tenho pena que a União de Leiria não consiga atrair mais pessoas ao estádio", frisou.
Câmara de Leiria “deve procurar soluções”
Uma das vozes que sempre se levantou sobre a rentabilização do estádio de Leiria é Henrique Neto. O empresário defende que "a câmara de Leiria deve procurar soluções que rentabilizem o espaço", considerando a criação de um pavilhão multiusos "uma das soluções, visto que o estádio de futebol é caro de manutenção". Por outro lado, e "estando Leiria entre Lisboa e Porto, espectáculos de certa dimensão que não justifiquem a realização em vários locais, a cidade leiriense podia ser um local privilegiado e conhecido para os acolher", sugeriu. "Faz todo o sentido uma utilização dessas ou outra. O que não deve acontecer é o estádio continuar a ser um custo", disse.
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Helena Amaro |