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Região aceita adiamento do TGV
A notícia do adiamento do TGV entre Lisboa e Porto e Porto e Vigo foi recebida com compreensão por autarcas e associações do distrito de Leiria, face à actual conjuntura económica e financeira do País. As linhas de alta velocidade foram adiadas por dois anos, revelou já esta semana o ministro das Finanças, na conferência de imprensa onde apresentou as principais linhas do Programa de Estabilidade e Crescimento. "O investimento público teve um pico em 2009 com os programas de estímulo à economia, e esse esforço irá ser atenuado nos próximos anos, regressando a valores anteriores, e neste domínio decidimos o adiamento da execução das linhas de alta velocidade entre Lisboa e Porto e entre Porto e Vigo", declarou Teixeira dos Santos. Um anúncio que, porém, não deixou satisfeito Raul Castro, presidente da câmara de Leiria - concelho contemplado por uma estação na Barosa -, lamentando o adiamento, porque "está a prejudicar as empresas que estão próximas do corredor (traçado entre Lisboa e Porto) previsto". "Temos de encontrar soluções para essas empresas", declarou Raul Castro, considerando que "há que encontrar uma forma para que a RAVE dê um parecer positivo, no sentido de as empresas não virem a ser prejudicadas no adiamento do projecto". Opinião diferente apresenta Isabel Damasceno, ex-autarca de Leiria, que aceita o adiamento. "Preocupava-me muito se o projecto fosse abandonado e a estação em Leiria cancelada. Isso sim seria uma injustiça muito grande com a qual não podia concordar. Como estamos a falar de um adiamento e não de uma alteração ao projecto, parece-me que não é grave", disse ao nosso jornal, considerando importante "que o traçado para o concelho não seja alterado e que contemple uma estação em Leiria". "Todos temos de perceber que temos de fazer opções e talvez esta não seja a mais adequada agora para o País, dada a actual situação", salientou.
Autarca de Alcobaça “feliz”
Paulo Inácio, presidente da câmara de Alcobaça e uma das vozes do Movimento Anti-TGV, mostra-se "feliz" pelo adiamento do projecto, porque permite uma "reflexão" sobre o traçado escolhido. "A petição que entregámos questionava o traçado do TGV que iria atravessar o concelho de Alcobaça, mas também apelava a uma reflexão profunda sobre o benefício-custo da linha de alta velocidade", explicou ao Diário de Leiria, afirmando: "o tempo veio a dar-nos razão". Segundo Paulo Inácio, este "não é o momento oportuno para efectuar a ligação", mostrando-se "feliz enquanto português por esta decisão, no contexto em que o País vive". O adiamento do TGV é visto pelo autarca de Alcobaça como uma "oportunidade para apostar nas linhas tradicionais, como a Linha do Oeste, apostando, assim, nas regiões e investimentos de proximidade, necessários para o País". Caso o Governo retome a 'pasta' do TGV, Paulo Inácio espera que o traçado em Alcobaça seja alterado. "Continuamos a acreditar que a solução passa por uma linha a Este da Serra dos Candeeiros", disse. Ribeiro Vieira, presidente da Nerlei - Associação Empresarial da Região de Leiria - considera "razoável" a decisão do Governo em adiar por dois anos o TGV. "Sou a favor de todos os meios de transporte ferroviário como solução alternativa aos transportes viários. Nesse sentido, o TGV seria interessante, mas tendo em conta a situação financeira do País, parece-me razoável que seja adiada a sua construção", disse Ribeiro Vieira, mostrando-se igualmente "favorável à melhoria da qualidade dos transportes ferroviários". Para o presidente da Nerlei, "quando houver condições económicas que seja retomado o TGV, incluindo sempre a passagem por Leiria".
Decisão tomada na legislatura seguinte
Como 'prometido' pelo anterior ministro das Obras Públicas, Mário Lino, a decisão final do Governo sobre o TGV foi tomada na actual legislatura. As declarações foram proferidas em Junho do ano passado, na mesma altura em que o Presidente da República, Cavaco Silva, considerou um eventual adiamento para depois das eleições "um caminho de bom senso". Com o adiamento por dois anos das linhas de alta velocidade, o Governo consegue, desta forma, "criar um quadro de finanças públicas com um défice mais baixo e com contas mais sustentáveis", explicou o ministro das Finanças, já esta semana, aquando da apresentação do Programa de Estabilidade e Crescimento. A linha de alta velocidade Lisboa-Porto, com abertura prevista para 2015, fica assim adiada para 2017, enquanto a linha Porto-Vigo só estará concluída em 2015. O investimento na primeira fase, entre Braga e Valença, é de 845 milhões de euros, de acordo com a informação disponível na página da RAVE - Rede Ferroviária de Alta Velocidade na Internet. A linha Lisboa-Porto representa um investimento de 3,8 mil milhões de euros, segundo a RAVE.
Estudo prevê várias alterações à linha na região
Segundo o resumo não técnico do estudo de impacte ambiental do projecto de 'Articulação da Linha de Alta Velocidade com a Linha do Oeste na Nova Estação de Leiria - AIA 2045', que se encontrava em consulta pública no ano passado, o projecto do TGV inclui duas componentes, nomeadamente o novo troço da Linha do Oeste, em via única, com uma extensão total de 10.875 metros, que substituirá o troço da Linha do Oeste entre os quilómetros 152 e 165, e a alteração da Linha de Alta Velocidade, numa extensão de 13.790 metros, do lote C1 entre Alenquer (Ota) e Pombal. Na nova Estação de Leiria será implementado um novo cais para a Linha do Oeste. A desactivação do troço da Linha do Oeste implica a desactivação da actual Estação de Leiria e a supressão de 13 passagens de nível.
Adiamento revela "algum bom senso"
O presidente da Comissão Política Distrital de Leiria do PSD, Fernando Costa, considerou anteontem que o adiamento por dois anos da linha de alta velocidade Lisboa-Porto revela "algum bom senso" do Governo. "O governo está a ter algum bom senso", disse Fernando Costa num encontro com jornalistas, em Leiria, sustentando que a obra "é incomportável com a situação financeira do País". Para o dirigente, já "há muito tempo" se questionava a necessidade do TGV. "Se foi ou não uma exigência da Dr.ª Ferreira Leite não sei, mas se foi, foi oportuna", declarou ainda Fernando Costa.
Helena Amaro, com Lusa |