
Igreja pede diálogo para consensos que integrem justiça e dignidade ao abordar greve geral
O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), José Ornelas, defendeu hoje a necessidade de diálogo que possa levar a consensos que integrem justiça e dignidade ao abordar a greve geral de dia 11 de dezembro.
“Isto deve ser objeto de um diálogo que possa levar a consensos e a soluções, sobretudo, que integrem justiça, dignidade e viabilidade do processo”, afirmou aos jornalistas José Ornelas, também bispo da Diocese de Leiria-Fátima, em Fátima.
A CGTP e a UGT decidiram convocar uma greve geral para 11 de dezembro, em resposta ao anteprojeto de lei da reforma da legislação laboral apresentado pelo Governo e será a primeira paralisação a juntar as duas centrais sindicais desde junho de 2013, altura em que Portugal estava sob intervenção da 'troika'.
O prelado reconheceu que a busca de “caminhos de justiça, de equidade” não é fácil.
“A Igreja Católica sempre disse que faz parte desta sociedade e, portanto, problemas destes são problemas que nos tocam (…). Mas é evidente que a busca, não fácil, de caminhos de justiça, de equidade, mas ao mesmo tempo ligados também a toda a situação económica que nós vivemos no país e por aí fora, são caminhos que esperamos”, declarou.
O presidente da CEP notou ainda que foram abertos processos no sentido do diálogo, desejando que "possam levar a resolver questões, independentemente do partido que está hoje no governo ou amanhã".
Questionado se há uma investida do Governo para eliminar direitos laborais conquistados, o bispo recusou dizer se está a acontecer ou não, mas frisou que “é preciso que não aconteça”.
“E é preciso que se encontrem caminhos de entendimento, também de critérios, para que criemos, de facto, uma sociedade justa”, declarou, lembrando "problemas com que os cidadãos se debatem, como a habitação ou o facto de não conseguirem viver com o seu salário”.
Referindo que “transformações são necessárias”, o presidente da CEP adiantou que, quanto ao tipo de transformações, “isso é algo que tem de ser objeto de uma discussão e de busca de entendimentos que vão para além, simplesmente, do imediato das coisas, para encontrar caminhos viáveis”.









