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Jovem luso-americana Júlia Machado promove a lusofonia nos EUA

Aos 15 anos e a viver em Nova Jérsia, Júlia tem no seu currículo a conquista do primeiro lugar no concurso The Voice Kids 2023 e ter representado Portugal no Festival Eurovisão Júnior.

A cantora luso-americana Júlia Machado, de 15 anos, estreou-se em português com o tema 'Adeus', através do qual pretende divulgar o idioma nos Estados Unidos e inspirar outros lusodescendentes, contou a jovem em entrevista à Lusa.

Aos 15 anos e a viver em Nova Jérsia, Júlia tem no seu currículo a conquista do primeiro lugar no concurso The Voice Kids 2023, ter representado Portugal no Festival Eurovisão Júnior e a sua música 'Burden' incluída na banda sonora da novela 'A Protegida', exibida pela TVI.

Mas faltava-lhe um tema em português, lacuna que acaba de preencher com 'Adeus', inspirado na perda abrupta de um familiar que lhe era muito próximo.

Em entrevista à Lusa, Júlia Machado contou que o seu dia é pensado e falado maioritariamente em inglês, mas é o português a língua mais perto "de casa".

Apesar de viver no estrangeiro, Júlia adora Portugal, para onde viaja todos os verões para visitar a família.

"O inglês é a língua que mais uso, mas tenho dias que penso mais em português. Dou por mim em conversas em que, de repente, esqueço a palavra em inglês, mas sei a palavra em português. Mas desde pequena que falo sempre com os meus pais em português e cheguei mesmo a andar na escola portuguesa", explicou a artista.

Nascida nos Estados Unidos, Júlia e o irmão são a primeira geração de lusodescendentes da família, mas a relação com Portugal mantém-se desde sempre, assim como a ligação à música.

Começou a ter aulas de canto aos 6 anos na Jersey Shore Music Academy, em Nova Jérsia, após os pais perceberem o seu talento para cantar.

Foi também em Nova Jérsia que pisou um grande palco pela primeira vez, no centro de artes cénicas Count Basie, em Red Bank, onde participou numa produção júnior de A Pequena Sereia.

Conta que foi nesse palco que descobriu a sua paixão por cantar e representar.

Seguiu-se a participação na produção Matilda, The Musical, e O Rei Leão, onde interpretou Nala, uma das principais personagens femininas do espetáculo.

Entrou ainda no musical Beetlejuice e está, neste momento, no elenco do musical Frozen, ambos no Count Basie.

Desde os 6 anos que Júlia pedia aos pais para participar no programa de talentos The Voice, mas, por ser tão jovem, estes decidiram esperar.

Quando finalmente lhe deram permissão para participar, Júlia atravessou o Atlântico e ficou cinco meses com os avós maternos para poder entrar no programa de televisão.

Terminou o ano letivo na mesma escola onde os seus pais estudaram antes de saírem de Portugal, há mais de 20 anos.

Júlia tornar-se-ia numa das vencedoras mais jovens dessa competição de canto, com apenas 12 anos.

O seu primeiro single, 'Where I Belong', foi inspirado na própria experiência com 'bullying' e interpreta-o como um "grito de solidariedade" para todos os que passam por situações semelhantes.

Mas foi a morte de um tio muito próximo que a levou a procurar o português para exteriorizar e expressar as emoções naquele momento de angústia.

"Infelizmente, quando o meu tio faleceu não consegui viajar logo para Portugal para me despedir. Então, quis escrever. Quis escrever-lhe uma música, mas queria que fosse com muito sentimento", explicou, sobre o processo de recorrer ao português para escrever 'Adeus'.

"Não tive a oportunidade de dizer adeus ao meu tio. Nós damos por garantidas as pessoas de que gostamos e temos ao nosso lado, mas, na verdade, nunca sabemos quando será a última vez que falaremos com elas. E eu e o meu tio só falávamos português. Então, às três horas da manhã comecei a sentir muitas saudades dele e comecei a escrever", acrescentou.

Júlia Machado diz à Lusa que quer levar a língua portuguesa à América e inspirar outros lusodescendentes que sonham com o mesmo percurso.

"Sinto que aqui, nos Estados Unidos, muita gente já conhece a música em espanhol, a música em inglês, mas muita gente não conhece música portuguesa. (...) Eu quero levar a nossa língua, o amor e as histórias para a América", afirmou a adolescente.

"Sinto-me muito orgulhosa [de ser lusodescendente]. Eu acho que estou a abrir portas não só para mim, mas para outras crianças que já nasceram longe de Portugal", sublinhou.

Março 15, 2026 . 18:00

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