
Pequenos deputados apresentam ‘Aviso no Bolso’ para proteger Leiria
Um alerta no telemóvel a avisar para retirar os vasos da varanda, evitar estacionar debaixo de árvores ou redobrar os cuidados numa estrada inundada. Esta é a ideia por detrás do projeto ‘Aviso no Bolso’, apresentado pelos alunos da Escola Básica da Branca durante a ‘Assembleia dos Pequenos Deputados’, que decorreu ontem de manhã no Teatro Miguel Franco, em Leiria.
A proposta passa pela instalação de pequenas estações meteorológicas em cada escola do concelho, capazes de medir a velocidade do vento, a quantidade de chuva e a humidade. Ligados à internet e a uma aplicação municipal, os sensores permitiriam emitir alertas imediatos para a população e para os serviços de Proteção Civil. “Se o vento soprar demasiado forte nos Marrazes ou se o Rio Lis subir perigosamente, os sensores detetam-no no imediato. Em segundos, um alerta chega ao telemóvel dos nossos pais e da Proteção Civil”, explicaram os jovens deputados, defendendo que “a informação é o nosso melhor escudo”, tornando as escolas “em sentinelas que protegem toda a comunidade”.
Esta ideia foi uma das várias propostas apresentadas pelos 33 pequenos deputados, dos 3.º e 4.º anos de 14 escolas do concelho, e que este ano foram desafiados pela Câmara Municipal de Leiria a responder à questão: ‘Após a tempestade que assolou o território, o que é que as crianças propõem para Reerguer Leiria?’.
Além da prevenção de riscos, as crianças apostaram em soluções ambientais para tornar o concelho mais resiliente. A Escola Básica da Cruz d’Areia propôs a plantação de árvores mais resistentes ao vento, escolhidas de acordo com as características de cada local, bem como a criação de reservatórios para retenção de águas pluviais, que poderiam ajudar a evitar inundações e servir de reserva em períodos de seca ou incêndio.
Já o Colégio Conciliar Maria Imaculada apresentou o projeto ‘Raízes de Leiria – Um Aluno, Uma Árvore’, uma iniciativa que associa cada aluno do concelho à plantação e acompanhamento de uma árvore, promovendo a recuperação das zonas afetadas pela depressão Kristin e a educação ambiental.
Do Jardim-Escola João de Deus chegou uma das propostas mais ambiciosas: transformar um terreno devoluto nas Olhalvas num Jardim Botânico de Leiria, inspirado no Jardim Botânico de Coimbra. O projeto prevê uma estufa, coleções de plantas, um anfiteatro ao ar livre, zonas húmidas ligadas ao Rio Lis e espaços dedicados à aprendizagem científica.
O período antes da ordem do dia ficou marcado pela apresentação de vários votos de louvor dirigidos à Câmara Municipal de Leiria, aos seus técnicos e funcionários, bem como a educadoras, assistentes operacionais e auxiliares das escolas. Um dos momentos mais emotivos aconteceu com a declamação do poema ‘Hino dos Leirienses’, por uma aluna da Escola Básica dos Parceiros, que recordou a noite em que “Leiria acordou sem chão seguro”. “Sobrevivemos e isso basta”, concluiu a deputada.
Todas as propostas apresentadas foram aprovadas por maioria ou unanimidade, assim como os votos de louvor discutidos durante a sessão.
A sessão foi presidida por Célia Afra, segunda-secretária da Assembleia Municipal de Leiria, acompanhada pelos pequenos secretários Carolina, da EB1 da Gândara, e Vinícius da Escola Básica José Mattoso. Entre os presentes estiveram o presidente da Câmara Municipal de Leiria, Gonçalo Lopes, vereadores do executivo, membros da Assembleia Municipal e representantes da PSP.
Na abertura dos trabalhos, o presidente da Assembleia Municipal, Acácio Sousa, destacou que as propostas apresentadas pelas crianças podem ter impacto real na comunidade. “Não é só brincar às Assembleias dos grandes. Muitas vezes as vossas ideias são novas, diferentes, e são aproveitadas por nós”, afirmou.
Também Gonçalo Lopes sublinhou a importância da participação dos mais novos na construção do futuro do concelho. “As opiniões, quando falamos de todos, é desde as crianças aos adultos. Todos são importantes na definição do nosso futuro coletivo”, disse.
No fim da sessão, a vereadora da Educação da autarquia, Anabela Graça, considerou que os deputados ‘de palmo e meio’ “deram-nos uma lição: para reerguer Leiria, todos somos precisos”, elogiando o trabalho desenvolvido durante o processo de preparação.







