Fundador: 
Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: 
Adriano Callé Lucas

Brigada do Mar já recolheu mais de mil toneladas de lixo


Texto: Helena Amaro | Foto: Brigada do Mar Terça, 06 de Junho de 2023

A Praia do Pedrógão “põe-me sempre a chorar, literalmente, de tanto lixo que tem”. É com amargura que Rute Novais, co--fundadora da Brigada do Mar, lembra as ações de recolha de lixo na única zona balnear do concelho de Leiria. Não por os banhistas e utilizadores da praia se­rem os grandes poluidores, mas porque as “características” e as “correntes” do mar levam para a costa resíduos deitados à água. “É lixo de pesca e de navios grandes”, explica.
Garrafas, sacos, beatas de cigarros, redes de pesca, são inúmeros os resíduos que a Brigada do Mar tem vindo a apanhar das praias, estuários e floresta portuguesas ao longo de 14 anos, desde a sua criação, traduzindo-se em mais de mil toneladas de lixo recolhido por milhares de voluntários.
Rute Novais admite “uma redução de umas coisas” e o aparecimento “de outras”. No caso do plástico, dá como exemplo os cotonetes que, apesar de já serem fabricados em papel, “continuam a aparecer imensos paus de cotonetes que as pessoas atiram pela sanita”.
Ainda assim, admite que “há uma redução do lixo” recolhido em algumas costas, dando como exemplo a zona de Grândola, onde as ações da Brigada do Mar, que outrora se traduziam em 30 toneladas de recolha de lixo, passaram para seis.
“Em Leiria ainda não se vê muito [esta redução]”, constata.
O número de associações e organizações não governamentais que têm surgido e que têm dado prioridade a campanhas de recolha de lixo e sensibilização, o facto de o mar estar na agenda, e a colaboração de municípios e empresas, tem contribuído para esta redução que Rute Novais espera que não pare por aqui. Para isso, defende, é “vital” continuar a apostar em campanhas de sensibilização junto dos mais pequenos. “É muito importante não maquilhar iniciativas. É importante pôr a mão na ferida e dizer que somos todos culpados, todos temos pegada”, afirma.

Consumo na base da poluição
Apesar de constatar uma redução na recolha do lixo, Rute Novais entende que “ainda há um longo caminho a percorrer”, desde logo no consumo e na “mentalidade”.
Para esta ambientalista, “o problema está no consumo, e enquanto as pessoas continuarem a ver as coisas pelo valor que custa, não há uma redução significativa”. “Dou um exemplo: uma t-shirt que só custa três euros, compram três, mas só precisam de uma”.
Rute Novais considera que uma das soluções que podia ser “mais eficaz” ter aplicar uma tara a “todo e qualquer lixo”, para depois “ser recuperado o valor”. “Infelizmente, só quando mexe com o dinheiro é que as pessoas pensam. Ainda não pensam na saúde e no oxigénio como um bem. Temos tudo como um dado adquirido. Tem que ser na base do problema e a base do problema é o consumo consciente. É eu saber que quando compro uma t-shirt de 3 euros, em que é que isso impactua a nível ambiental e social”, aponta.
Por outro lado, defende a promoção das “trocas de bens ou compras em segunda mão”, assim como a promoção do “consumo local”.



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