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Ruído no centro de Leiria preocupa população


Foto: LFC Quinta, 22 de Fevereiro de 2024

“Os moradores não têm direito ao descanso”. As palavras de António Monteiro fizeram ouvir-se na Assembleia Municipal de Leiria, naquilo que foi um alerta de um munícipe no que toca ao ruído, já que “o espírito da lei não é cumprido em lado nenhum” na cidade do Lis.
O evento Leiria Natal e a festa de Carnaval, assinalados no centro da cidade, foram dois exemplos levados aos deputados municipais por António Monteiro, que critica a tenda instalada no Largo Papa Paulo VI, junto à rodoviária, durante vários meses.
“Se as pessoas querem festas, façam as vossas festas em casa. Não venham chatear as pessoas que estão na sua casa. Tivemos uma tenda montada no espaço público durante três meses. Vinte e cinco por cento do espaço nobre da cidade ocupado por uma tenda”, explicou o munícipe, defendendo a instalação de uma tenda “lá em baixo [leia-se junto ao estádio]”.
“No mínimo, espalhem o mal pelas aldeias, que não seja sempre no mesmo sítio”, propôs ainda, considerando que “a Câmara não controla”, mesmo os eventos desportivos, que originam “abusos”, com “carros estacionados em cima do passeio”.
“Há um abuso permanente do espaço público e a Câmara não faz nada para ultrapassar esta situação”, disse António Monteiro.
Em resposta ao munícipe, o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, manifestou a sua “compreensão pelo transtorno que alguns destes eventos provocam nas populações que vivem perto dos eventos”.
“Não é só uma questão de dividir o mal pelas aldeias. Há sítios mais indicados para organizar determinado tipo de iniciativas. Não me parece que o Leiria Natal fique bem ao pé do estádio. Representa uma centralidade”, argumentou o autarca, lembrando que não é apenas em Leiria que acontece.
“A iluminação e a animação, geralmente, é nos centros da cidade, para atrair pessoas ao centro”, acrescentou.
Ainda assim, Gonçalo Lopes assegurou que a gestão do ruído é algo que o município deve controlar.
“No Natal controlou-se. No Natal já não se faz música ambiente, até para poder responder a algumas das reclamações que se fazem. Antigamente, tínhamos som ambiente por toda a cidade. Deixámos de fazer esse investimento”, lembrou o edil.
Quanto à tenda, Gonçalo Lopes esclareceu que serviu para “fazer o maior aproveitamento das estruturas” montadas desde o Natal e que, para além das atividades natalícias, serviram ainda para eventos relacionados com a Taça da Liga e o carnaval.
“Tentamos rentabilizar os meios que temos disponíveis. Aproveitámos para fazer a Taça da Liga e depois, a título excecional, o carnaval”, explicou.
Condenando “a questão do estacionamento abusivo”, acrescentando que “não é só naquela zona que acontece” e está relacionado “o civismo das pessoas”, Gonçalo Lopes admitiu que é algo que o preocupa, pelo que tem vindo a trabalhar com a PSP nalguns sítios “e já com alguns resultados, onde a fiscalização tem sido mais apertada”.
“Fica também o registo de tentarmos melhorar o ruído, controlar os horários de funcionamento e o nível de decibéis destes eventos”, disse. H.A.



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