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Google vai destruir dados relativos a milhões de utilizadores obtidos 'on-line'


Foto: DR Terça, 02 de Abril de 2024

A Google vai destruir os dados milhões de utilizadores que guardou durante a navegação destes em linha, segundo os termos de um acordo concluído na segunda-feira para acabar com um conflito judicia sobre a confidencialidade das informações pessoais.

O processo coletivo apresentado em 2020 incide sobre o modo ‘Incognito’ no navegador Chrome, da Google, que dá aos utilizadores a impressão de que não seguidos pelo conglomerado da pesquisa em linha – de forma errada, segundo os queixosos.

Estes acusam o número mundial da publicada em linha e os ter induzido em erro pela forma como o Chrome orientava as pessoas que utilizavam esta opção de navegação privada.

“Os esforços dos queixosos permitiram obter confissões chave dos empregados da Google, incluindo documentos onde o ‘Incognito’ era descrito como “uma mentira na prática”, um “problema de ética profissional e honestidade elementar” e “um bazar propício à confusão”, relataram os advogados no acordo depositado na segunda-feira perante um tribunal de San Francisco.

Se o acordo for aprovado pela juíza Yvonne Gonzalez Rogers em julho, a Google vai evitar um processo, mas vai ter de “suprimir e/ou remediar milhares de milhões de registos de dados” recolhidos durante a navegação em linha das pessoas que utilizam o ‘Incognito’.

“Este acordo constitui uma etapa histórica, porque exige às empresas tecnológicas dominantes que façam prova de honestidade nas suas declarações aos utilizadores quanto à maneira como recolhem e utilizam os dados destes e que eliminem os dados assim coligidos”, ainda segundo o documento.

A Google comprometeu-se a reformular “imediatamente” a informação disponível sobre o modo ‘Incognito’, para “informar os utilizadores que recolhe os dados da navegação privada”.

E a empresa deve bloquear por defeito no modo ‘Incognito’ os ‘cookies’ de terceiros – esses programas informáticos utilizados nomeadamente para seguir os utilizadores em linha e visá-los na publicidade. A Google já iniciou a transição para o fim destes programas muito criticados.

O acordo não prevê o pagamento de indemnizações, quando a queixa apresentada em 2020 reclamava cinco mil milhões de dólares.

Mas mantém a possibilidade de os utilizadores do Chrome que se considerem lesados de processar a Google individualmente.

A queixa inicial acusava a Google de se ter “transformado em uma mina de informações sem prestar contas, informações tão detalhadas e tão vastas com as quais nem George Orwell teria conseguido sonhar”.



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