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Covid-19: Associações empresariais da região de Leiria pedem mais apoios ao Governo


texto: José Roque / foto: Arquivo quinta, 26 março 2020

As associações empresariais da região acreditam que o ‘pacote’ de medidas do Governo para ajudar as empresas a minimizar os efeitos da Covid-19 na economia nacional são “insuficientes”.
“As medidas são boas, mas não são suficientes, principalmente porque são de difícil implementação e confusas. Por isso, não vão chegar a muitos que precisam”, referi, ao nosso jornal, o presidente da Nerlei – Associação Empresarial da Região de Leiria, António Poças.
Ainda assim, o responsável acredita que o Governo ainda vai a tempo de corrigir o que está mal. “Temos consciência que estamos a lidar com uma situação nova e que está a exigir respostas a um ritmo alucinante. Estamos convictos que, com o avançar da situação, o Governo irá adaptar as medidas à situação concreta”, rematou.
Quem também considera que o Governo pode ir mais além nas medidas de apoio às empresas é a Aciso – Associação Empresarial de Ourém-
-Fátima. “Consideramos que as medidas adoptadas até este momento, embora relevantes, são claramente insuficientes. É necessário ir mais além, através do apoio directo e simplificado à tesouraria das empresas. Um dos factores críticos das actuais medidas é o tempo de espera para se poderem accionar as medidas, o que não é, de todo, compatível com a urgência dos apoios. Só injectando liquidez de forma eficaz nas empresas é que se conseguirão manter empresas e os postos de trabalho”, salientou a presidente da Aciso, Purificação Reis.
Apesar do estado de emergência em Portugal ter sido decretado há pouco mais de uma semana, as associações empresariais já têm relatos de empresas a passar por dificuldades. “Existem já muitas empresas a sentirem sérias dificuldades pois os compromissos existem e a facturação é nula, quadro este que, tendencialmente se agravará à medida que o tempo passa. Muitas das empresas têm-se manifestado bastante apreensivas com a actual situação económica e temem que o prolongamento da mesma venha a pôr em risco a manutenção dos postos de trabalho e a sobrevivência das empresas”, ressalvou a responsável da Aciso.
Uma ideia partilhada por António Poças que adianta que as empresas que foram obrigadas a encerrar portas são aquelas que estão a ser mais penalizadas, mas assegura que “a médio prazo todos serão afectados”, acrescentando que a falência de empresas será “inevitável”.

Empresas querem
processos simplificados

Por tudo isto, o responsável da Nerlei faz um apelo ao Governo no sentido de se simplificarem os processos. “Deve-
-se simplificar as medidas anunciadas para que as empresas a elas consigam aceder efectivamente”, resumiu António Poças.
Do lado da Aciso, Purificação Reis é mais precisa naquilo que considera ser primordial e urgente na actuação do Governo em relação à economia nacional: “Há várias medidas de apoio às empresas que deveriam ser implementadas pelo Governo no mais curto espaço de tempo, nomeadamente a carência fiscal de três meses para IVA, TSU e IRC; a carência de três meses no pagamento de rendas não habitacionais; eliminação dos ‘spreads’ e comissões nas linhas de crédito; e revisão do regime de layoff de forma a não estrangular ainda mais a tesouraria da empesas”.
Purificação Reis dá mesmo um exemplo do que na sua opinião está incorrecto nas mais recentes medidas do Governo. “Não faz sentido as empresas, as quais já se encontram com graves problemas de tesouraria, estarem a ‘adiantar’ os 70% que caberão à Segurança Social, ficando à espera de serem ressarcidas des­se montante num futuro próximo e incerto. Também os compromissos das empresas com os bancos deveriam ser suspensos por um período mínimo de três meses”, concluiu.

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