A esquerda socialista no seu labirinto
As sondagens têm-se apresentado de feição para a coligação PSD/CDS e desfavoráveis para o PS. Claro que é sempre arriscado fazer previsões com base em sondagens, ainda mais a mês e meio das eleições. Não é isso que quero fazer.
O PS abriu a crise política por causa de questões em torno de uma sociedade familiar de Luís Montenegro. E o líder socialista, Pedro Nuno Santos, quer assumir pessoalmente as despesas da conversa e encabeçar a confrontação com o primeiro-ministro. Ora, é sintomático que a linha populista e tabloide escolhida por Pedro Nuno Santos (espelho de André Ventura) não esteja a render nas sondagens, apesar de o objecto de combate ser ainda muito fresco. A diferença de intenções de voto entre PSD/CDS e PS não está a estreitar-se, mas alarga-se. O Chega também surge em baixa, indicando que a objectiva parceria estratégica e táctica entre ambos não rende para nenhum. O estilo trauliteiro não dá prémio, seja com estardalhaço ou em modo de salão.
Para os socialistas, as perspectivas não estão risonhas. A crise pareceu ter sido precipitada pelo PS como a última oportunidade para a direcção socialista: agora ou nunca! Pedro Nuno Santos agarrou no ataque lançado contra o primeiro-ministro como o combate. Acreditou ser melhor cavalgar a ideia de um escândalo do que apresentar e debater ideias políticas para o país. Compreende-se: o passivo deixado pelo PS ao fim de oito anos de governo (2016-2024) é tão grave em todas as áreas de governação, que preferem nem tocar nesses temas.
O escândalo vinha a calhar. Mas o escândalo está a falhar. O líder socialista pode estar em breve com as mãos cheias de nada. E, quando a política descer à terra e às necessidades e aspirações das pessoas, o absoluto vazio do PS ficará evidente: nada de novo a propor, muito de velho a esconder.
A esquerda socialista – ou mesmo a extrema-esquerda do PS – que assumiu o controlo e o comando do partido quis saltar para o pote. Com a marca inapagável do radicalismo, na substância e no estilo, pode alcançar, aqui, o seu último falhanço. Nos últimos anos pós-geringonça foi o principal factor de instabilidade. O último governo de António Costa, com maioria absoluta, nunca conseguiu ter estabilidade. Porquê? Porque, dentro do próprio PS, a esquerda socialista – ou a sua extrema-esquerda – minava as condições de governabilidade e foi abrindo crises consecutivas. Pratica o radicalismo autofágico. Basta lembrar os episódios sucessivos do “pedronunismo” antes de tudo terminar no “galambismo” final. A esquerda socialista rebentou a maioria absoluta do seu partido. Tamanha é a sua ambição e a febre da ambição. Agora foi o mesmo impulso no derrube do governo minoritário, na primeira oportunidade que lhe pareceu jeitosa.
Os portugueses, porém, sabem que, apenas num ano, com o governo PSD/CDS, foram resolvidas várias contestações sócio-profissionais que o governo PS acumulara sem conseguir responder-lhes; a estabilidade e a aprendizagem voltaram às escolas, saindo da catástrofe Brandão/Leitão/João Costa; o papel e os direitos dos pais são respeitados; o caos da imigração está a ser enfrentado; a fiscalidade melhorou; a economia cresce; os problemas da saúde estão a ser tratados, abrindo-se uma política estrutural não-ideológica de prioridade aos doentes; grandes investimentos públicos foram decididos; e pode voltar a haver esperança na habitação.
Numa legislatura que, apesar da vozearia do Chega e da incerteza do PS, estava a correr bem, quem quer voltar para trás? Quem quer voltar ao desmantelamento da administração da imigração, à imigração descontrolada, ao zero na habitação, ao agravamento dos impostos, à ideologia esquerdista a soprar desenfreada por todo o lado nas escolas e na saúde? Ninguém, salvo os profissionais do caos.
Estas eleições perspectivam-se como o Waterloo da esquerda socialista – e da sua extrema-esquerda. Ela merece. E Portugal precisa.





