
Descoberta de tratamento oral de cancro leva a acordo internacional
Uma descoberta realizada na Fundação GIMM (Instituto Gulbenkian de Medicina Molecular) "está no centro de um acordo internacional" com a farmacêutica Boehringer Ingelheim que pode revolucionar o tratamento oral de certos tipos de cancro, anunciou hoje a instituição.
Neste âmbito, a 'startup' de oncologia de precisão Tessellate Bio assinou um acordo de licenciamento global com a Boehringer Ingelheim para desenvolver terapias orais inovadoras.
O acordo de licenciamento global entre a Tessellate Bio -- com sede em Naarden (Países Baixos) e laboratórios de investigação e desenvolvimento em Stevenage (Reino Unido) --- e a farmacêutica Boehringer Ingelheim inclui financiamento para investigação, licenciamento e pagamentos por metas alcançadas, de acordo com o GIMM - Gulbenkian Institute for Molecular.
Em termos globais, "poderá ultrapassar os 500 milhões de euros" e passa por "desenvolver terapias orais inovadoras dirigidas a cancros ALT-positivos --- um tipo agressivo de tumor que afeta até 15% dos doentes oncológicos e para o qual existem poucas opções de tratamento".
Em 2019, a equipa de Claus Azzalin, investigador principal na Fundação GIMM e cofundador da 'startup' Tessellate Bio, publicou na revista Nature Communications uma descoberta: "a enzima FANCM é essencial para a sobrevivência de células cancerígenas que usam o mecanismo ALT (alongamento alternativo dos telómeros)".
Ora, "esta vulnerabilidade inesperada abriu caminho a uma abordagem terapêutica completamente nova, protegida por patente antes da publicação", refere o GIMM.
"Tudo nasceu de uma pergunta simples: como se comportam os telómeros em células cancerígenas? Não estávamos à procura de um medicamento --- estávamos a tentar perceber como funcionam as extremidades dos cromossomas", relata Claus Azzalin, citado no documento.







