Erros meus, má fortuna e portugueses impuros em nossa perdição se conjuraram
A propósito do mais recente e abrileiro 10 de Junho, o nosso amado Presidente e uma escritora da qual – confesso – nunca li nada, mas deve ser excelente, fizeram mais uma descoberta que lhe devia conferir direito a receber o Nobel da antropologia: não há portugueses puros!
Que pena, eu pensava que havia, quimicamente puros, daqueles que nunca foram poluídos nem por miscigenação racial, ou bafejo de sangue mouro. Eu sabia que no Algarve, não, eram todos mouros, no Alentejo, não, eram meios mouros; nas beiras? Não, muita violação por tropa francesa durante as célebres invasões; e por aí fora, até à cidade onde nasci e pensava eu que era celta puro, até descobrir que Braga tinha sido capital do reino dos Suevos, esses selvagens, e depois disso, os visigodos, e também umas incursões árabes, ou seja, impuros. Que maçada!
Mas também, tenho de dizer que para ser “puro” tinha de ser Celtibero, assim mesmo, meio celta, meio ibero, o que de si, já não é muito puro. Primeira conclusão: o português puro teria de ser uma misturada de celtas e iberos. Além disso, teria de nascer a cantar o faduncho, gostar de discutir futebol no café, adorar couratos, dizer palavrões com grave pronúncia (pura?) nortenha, e por aí fora. Os exemplares que conheço mais parecidos com isto, são tudo menos puros…
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