O novo programa de um novo Governo
Dizem-me que o novo programa do governo da AD tem cerca de 250 páginas e que tem algumas novidades relativamente ao programa anterior. Não vou perder o tempo necessário para a sua leitura, seja porque seria inútil, seja porque é impossível em quatro anos cumprir metade do que lá está escrito, seja porque sei de programas anteriores em que uma grande parte dos objectivos estavam errados e foi uma bênção que não tenham saído do papel.
Dou um exemplo: durante o debate recente do programa na Assembleia da República o novo líder do Partido Socialista acusou o governo de estar a nomear pessoas por razões partidárias e o primeiro-ministro respondeu que isso é preferível a ter colaboradores que boicotam as decisões do governo. Estão ambos errados, seja porque o erro maior reside em que tanto faz serem pessoas afectas ao PS, como à AD, são todos amadores sem experiência nos cargos e, em qualquer caso, a probabilidade é que serão substituídos por outros, na melhor das hipóteses em quatro ou oito anos. Ou seja, o que ambos não enxergam, ou enxergam demasiado bem, é que o modelo está errado e que a solução é a escolha de Directores Gerais profissionais que se mantenham nos cargos durante toda a sua carreira e sejam a memória dos diferentes departamentos e evitem erros sucessivos por desconhecimento do passado.
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