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Livro resgata memórias do cortejo de oferendas em Pedrógão Grande

O livro ‘Cortejo e Procissões d’um povo que pede esmola’, de Aires Henriques, debruça-se sobre um cortejo de oferendas para apoiar o Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Grande. Livro será apresentado no sábado.

‘Cortejo e Procissões d’um povo que pede esmola’ é o título da mais recente obra do investigador Aires Henriques, que se debruça sobre um cortejo de oferendas realizado no ano de 1948, para apoiar o Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Grande.
O momento de apresentação do livro está integrado nas Festas de Verão & Expoarte e vai realizar-se no Centro de Interpretação Turística, no próximo sábado, pelas 17h00.
O livro, com 176 páginas, divide-se entre a contextualização histórica e um acervo fotográfico com cerca de meia centena de imagens.
As fotografias terão sido captadas por membros da Casa de Pedrógão Grande, em Lisboa, associação onde, segundo Aires Henriques, existiam cidadãos “conscientes e progressistas”.
Realizado no atual espaço da Devesa - naquela altura era apenas um “terreno plano” com alguns carvalhos - o cortejo aconteceu na sequência de “um conjunto de cortejos de oferendas que foram sendo feitas pelo país praticamente a partir dos finais da Guerra Civil de Espanha”, explica o também responsável pelo Museu da República e Maçonaria de Pedrógão Grande.
Segundo clarificou Aires Henriques, a partir da década de 1940 começou a assistir-se à realização de cortejos de oferendas pelo país, com o objetivo de “colmatar alguns dos problemas e deficiências que a assistência salazarista não possuía e servia-se do facto das estruturas que lhe eram próximas, nomeadamente as misericórdias, para tentar suprir as deficiências então existentes no meio das populações”.
A obra de Aires Henriques não só resgata essas memórias, como sublinha os contrastes entre o passado e o presente. “Este cortejo de oferendas foi feita num período em que em Pedrógão Grande ainda existiam nove mil cidadãos”, salientou.
Reconhecendo que as fotografias “são muito curiosas”, Aires Henriques esclareceu que o cortejo de oferendas também “é uma manifestação quase folclórica do regime”. “As meninas aparecem enfeitadas, vestidas pelos grandes senhores aqui da terra”, acrescentou.
De acordo com o investigador, o livro demorou pouco tempo a ser concluído, mas resultou de um processo de amadurecimento “ao longo dos anos”, alimentado pela investigação e recolha de testemunhos. “Ouvi um ou outro testemunho, porque procurou-se colocar uma legenda em cada uma das fotografias. São 50 fotografias que procuraram complementar o que está no texto e que, de facto, envolveu contacto com algumas pessoas”, afirmou.
Aires Henriques especifica que o livro dá a conhecer outras curiosidades, como a passagem do professor Bissaya Barreto no Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Grande entre os anos 50 e 60.
As receitas resultantes das vendas do livro revertem a favor da Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Grande.
A obra é editada pelo município de Pedrógão Grande.

Julho 23, 2025 . 09:30

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