Última Hora
Pub Dl Ipcb Cursos 20260527
Pub Dl Opticone 20260611
Pub Dl Inova Webinar 20260611
Pub

MP recorre da pena de homem que matou duas mulheres no Centro Ismaili

Abdul Bashir foi condenado no início de junho à pena máxima de prisão, tendo o tribunal determinado que o afegão de 30 anos não é inimputável

O Ministério Público recorreu da condenação a 25 anos de prisão do homem que matou duas mulheres no Centro Ismaili, em Lisboa, defendendo que a pena deve ser substituída por medida de segurança por o réu ser inimputável.

De acordo com o recurso para o Tribunal da Relação a que a Lusa teve hoje acesso, o Ministério Público considerou ter existido um erro na apreciação da prova e, ainda que tenha entendido que o julgamento não deve ser repetido, defendeu uma nova decisão, com a aplicação de uma medida de segurança superior a três anos em vez da pena de 25 anos de prisão.

Abdul Bashir foi condenado no início de junho à pena máxima de prisão, tendo o tribunal determinado que o afegão de 30 anos não é inimputável e, por isso, deve cumprir pena em estabelecimento prisional e não numa clínica destinada ao tratamento de doença mental.

Na decisão, o coletivo considerou que o homem atuou deliberadamente e, apesar das perícias feitas por psiquiatras forenses, o tribunal acabou por ter como base a avaliação de um psicólogo forense que considerou não existir um diagnóstico de esquizofrenia.

No recurso, o Ministério Público criticou esta decisão, referindo que o tribunal de primeira instância não deveria ter dado mais credibilidade a um relatório feito por um psicólogo forense e que os psicólogos não podem fazer diagnósticos de doenças mentais de base neurológica.

Para o Ministério Público, é clara a existência da doença de esquizofrenia e, por esse motivo, Abdul Bashir deve ser considerado inimputável.

Esta posição já tinha sido, aliás, defendida nas alegações finais deste julgamento, com o MP a defender a inimputabilidade e a medida de internamento.

O Ministério Público fez ainda referência ao manifesto de psiquiatras, feito a propósito desta decisão judicial e enviado à Ordem dos Médicos, em que 32 psiquiatras manifestaram “perplexidade e preocupação”.

Os especialistas consideraram que o tribunal “ignorou um diagnóstico médico, apoiando-se num parecer de psicólogo forense que não pode fazer diagnósticos médicos, nem contestá-los e que, portanto, extravasou a sua competência”.

Estes psiquiatras sublinham que o direito à saúde é constitucional e que “negar esse direito, num contexto em que a esquizofrenia foi diagnosticada e documentada, significa abdicar do princípio da dignidade da pessoa humana”.

O recurso do Ministério Público acompanha o recurso apresentado pela defesa de Abdul Bashir, que defendeu que pretende manter este homem no hospital prisional de Caxias, para que continue a receber o devido tratamento.

O crime aconteceu a 28 de março de 2023 e morreram duas mulheres, de 24 e 49 anos, que trabalhavam no serviço de apoio aos refugiados do Centro Ismaili.

No total, o cidadão afegão foi considerado culpado de sete dos 11 crimes de que estava acusado: dois de homicídio agravado, três de homicídio na forma tentada, um de resistência e coação sobre funcionário e um de detenção de arma proibida.

Julho 29, 2025 . 17:00

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
94 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right