
Descarga de efluentes de 38 horas causou milhões de euros em prejuízos
O rio Lis foi poluído ao longo de 14 quilómetros durante 38 horas, na sequência de uma avaria na estação elevatória de Monte Real, provocando milhões de euros em prejuízos ambientais e económicos.
Na reunião camarária de quinta-feira, o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes falou em prejuízos ambientais no curso de água, económicos sobretudo no turismo na Praia da Vieira e ainda na agricultura, reconhecendo também que o incidente provocou um “prejuízo reputacional”.
Segundo Gonçalo Lopes, o arranjo e limpeza das margens pode custar cerca de três milhões de euros, mas, se avançar uma operação de dragagem do rio, o custo é superior.
O autarca considerou que, com este incidente, “cria-se uma obrigação de acelerar investimentos que estão previstos há muito tempo”, além da melhoria das infraestruturas existentes por parte da AdCL.
A avaria, detetada na manhã de terça-feira, mas comunicada apenas no dia seguinte, ocorreu no troço desde a estação elevatória até à foz, numa extensão de 14 quilómetros, sendo que a estimativa é de que entre 900 e 1.000 metros cúbicos de efluentes tenham sido descarregados a cada hora.
Na quarta-feira, o alerta do município de Leiria para o problema de poluição foi feito nas redes sociais, e posteriormente, através de um comunicado de imprensa, desaconselhando atividades no troço do rio Lis depois de Monte Real.
A Águas do Centro Litoral (AdCL) divulgou que a estação de Monte Real, que eleva efluente para a estação de tratamento de águas residuais do Coimbrão, encontrava-se “temporariamente inoperacional devido a uma avaria nas bombas que compõem o sistema de elevação”.
No mesmo dia, o município da Marinha Grande esclareceu que, por precaução, e enquanto decorriam as reparações, a Capitania do Porto da Nazaré determinou a interdição temporária dos banhos na Praia da Vieira, entretanto reaberta no passado sábado.
Ao final da tarde de quarta-feira, a GNR anunciou estar a investigar a poluição no rio Lis após a avaria na estação elevatória, uma situação com “grave impacto na fauna e flora locais”, e àquela altura, já com “evidências desse impacto com fauna morta, sobretudo peixes”.
Perante a “grave ocorrência ambiental” provocada pela avaria na Estação Elevatória de Monte Real, o Município de Leiria exigiu à AdCL a “adoção imediata de medidas de contenção e reparação dos danos causados”, bem como a “implementação de soluções que previnam a repetição de situações desta natureza, assegurando mecanismos eficazes de resposta em caso de avaria”.
O Município de Leiria, que disse não ter “qualquer responsabilidade sobre esta ocorrência”, exigiu igualmente o “esclarecimento cabal sobre as circunstâncias em que ocorreu este acidente”, devendo “ser criada uma comissão de inquérito e que sejam garantidas as respetivas compensações ambientais e sociais causadas por este grave acidente”.
Ainda na quarta-feira, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) notificou a Águas do Centro Litoral (AdCL) a instalar um sistema de retenção para impedir a descarga de efluente no rio Lis.
Na madrugada de quinta-feira, dia 14, a avaria na estação elevatória de Monte Real ficou resolvida tendo a estação voltado a entrar em funcionamento às 00h30, depois da instalação da bomba de substituição ao final do dia de quarta-feira. Para minimizar impactos ambientais e sanitários, a AdCL “procurou reter efluente”, ao longo do dia de quarta-feira, “em infraestruturas existentes, assim como geriu caudais no sistema de transporte de águas residuais”.
Comissão reúne amanhã
O secretário de Estado do Ambiente, João Manuel Esteves, deslocou-se a Leiria, na quinta-feira de manhã, para uma reunião com as câmaras Municipais de Leiria e da Marinha Grande, a Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, a APA e a AdCL, onde foi decidida a criação de uma comissão para avaliar a avaria e os impactos e necessidade de investimentos.
O secretário de Estado esclareceu que há um conjunto de investimentos a decorrer por parte da AdCL nos equipamentos e outros programados, sendo que a comissão de avaliação vai ver o que se pode melhorar.
A Águas do Centro Litoral (AdCL), gestora da estação elevatória em Leiria onde ocorreu a avaria garantiu no mesmo dia que vai assumir a responsabilidade civil e ambiental.
Três açudes do rio Lis - Parque, Arrabalde e Salgadas - foram abertos na quinta-feira à tarde para aumentar o caudal do rio Lis e mitigar os efeitos da descarga de efluentes não tratados.
No sábado, dezenas de voluntários arregaçaram as mangas para remover “milhares de peixes mortos”, na confluência da Ribeira da Carreira com o rio Lis.
Gonçalo Lopes adiantou que a retirada de peixes deveria ter sido assumida pela AdCL, apontando que a ação visou a retirada à superfície, mas é expectável que existam mais peixes mortos no fundo do rio e junto às margens.
O autarca indicou que, amanhã, haverá uma reunião entre elementos do Governo, dos municípios e a Águas do Centro Litoral.|







