
Aluna de Alcobaça integra grupo que representa Portugal nas Olimpíadas Ibero-Americanas
Chama-se Kaixin Cheng, é uma aluna de Alcobaça, e vai integrar a comitiva portuguesa, que se prepara para embarcar numa viagem rumo à Colômbia, para participar nas Olimpíadas Ibero-Americanas.
Desde 2007, as Olimpíadas Portuguesas da Biologia têm cativado jovens de todo o país para a ciência e a investigação. Este ano, quatro estudantes, entre eles Kaixin Cheng, foram escolhidos para representar Portugal nas Olimpíadas Ibero-Americanas, que decorrem em setembro.
Organizada pela Ordem dos Biólogos, a competição nacional divide-se em categorias júnior e sénior, que este ano reuniu 1200 participantes, e incluiu três fases, com provas em escolas e em prestigiadas instituições de investigação como o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) e o Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier, polo integrante da Universidade Nova de Lisboa (ITQB).
Depois desta fase de apuramento, os alunos estiveram uma semana, em maio, na formação prática e teórica no INIAV e ITQB, sobre as várias temáticas que iram fazer parte das provas na competição.
Pedro Oliveira, coordenador pedagógico da Olimpíadas Portuguesas da Biologia, sublinha a importância do contacto precoce com a ciência. “Queremos que estes alunos vejam a biologia para lá dos conteúdos programados e lecionados nas escolas”, afirmou, em declarações ao nosso jornal.
A grande novidade deste ano das Olimpíadas Ibero-Americanas, que se realizam na Universidade Antonio Nariño, Colômbia, é o ‘Rally Paper’, uma prova que junta participantes de diferentes países em equipas mistas. Num ambiente natural, como um parque, os jovens percorrem um percurso enquanto respondem a um quizz.
Pedro Oliveira sublinha que esta atividade tem como objetivo “integrar os alunos dos diferentes países em atividades conjuntas”, promovendo o convívio e a partilha de conhecimentos através da curiosidade e do espírito de equipa.
A ambição é clara, como reforça Pedro Oliveira: “Temos sempre a expectativa de trazer medalhas. Mas, acima de tudo, queremos que estes jovens regressem mais inspirados e apaixonados pela ciência”. A possibilidade de conhecer novas culturas, fazer amizades e adquirir conhecimentos além da biologia é “altamente motivadora para os jovens”, que veem as Olimpíadas como um objetivo.
A delegação portuguesa está a preparar-se para viajar até à Colômbia para as provas que se realizam entre 7 e 14 de setembro. A comitiva é composta por quatro estudantes com idades entre os 17 e os 18 anos: Tomás Faria e Silva e Matilde Domingos Luís (ambas do Colégio Moderno, Lisboa), Daniel Nunes Marques (Escola Secundária Alves Martins, Viseu) e Kaixin Cheng, de 18 anos, aluna da Escola Básica e Secundária de São Martinho do Porto, em Alcobaça.
Kaixin nasceu em Lisboa, mas foi, ainda em pequena, que viajou para a China. Já fluente em mandarim, teve de aprender a língua portuguesa quando voltou para Portugal, aos seis anos. “Foi difícil, não conhecer ninguém, não falar a língua”, confessou ao nosso jornal, admitindo, contudo, ter tido o “privilégio” de ter uma professora e uma turma “inclusiva”, onde se conseguiu integrar e aprender a língua.
Apesar de já participar nas Olimpíadas Portuguesas da Biologia há três anos, esta será a sua estreia nas Olimpíadas Ibero-Americanas, um desafio que abraça com entusiasmo. Foi na escola que descobriu a iniciativa e, movida pelo gosto pela área, decidiu arriscar.
“Gosto muito da área da Biologia e tive muito interesse em participar. É uma ideia fora da caixa, diferente daquilo que fazemos normalmente na escola”, afirma Kaixin Cheng, que vê neste projeto uma oportunidade que vai além do currículo escolar. Com expectativas elevadas, espera aprender mais, fazer novas amizades e expandir horizontes.
Pedro Oliveira não tem dúvidas de que a aluna de Alcobaça irá representar Portugal “de forma brilhante”. “As minhas expectativas em relação à Kaxin é que ela irá, com toda a certeza, representar o nosso país, de forma brilhante”, promovendo também a partilha de saberes e cultura com todos os participantes das Olimpíadas Ibero-Americanas, remata Pedro Oliveira








