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As “nossas” fronteiras para o sucesso (luso) vindo de além das ditas…

Agosto 21, 2025 . 14:00
Opinião de António Ramos: "Quando existe um elevado nível de talento e a capacidade/vontade de o mostrar, é mais fácil (vá saber-se porquê) mostrar esse mesmo talento e ganhar espaço e estatuto fora das nossas fronteiras do que no pequeno espaço delimitado por essas mesmas fronteiras".

Um maior reconhecimento fora das fronteiras portuguesas relativamente ao (re)conhecimento interno, é uma realidade por vezes (ou quase sempre) difícil de entender, mas comum nas mais diferentes áreas da sociedade, e no que ao universo musical diz respeito, foi um tema já aqui abordado em “comentários”, em relação a nomes de diferentes gerações, casos de Luís Piçarra, Mísia ou Cristina Branco, por exemplo.
Mas mais que a diferença real de “reconhecimentos”, o que suscita mais curiosidade e vontade de análise é a perceção (está na moda a palavra, ainda que noutras áreas) da existência de um sentimento de “repúdio” em relação a quem conquista sucesso fora de portas, antes de o conseguir em “casa”.
Para além dos casos acima referidos, um dos exemplos que esteve na origem deste texto, é o da jovem cantora, compositora e multi-instrumentista Maro, que venceu o Festival RTP da Canção em 2022, com “Saudade, saudade”, com uma carreira construída oficialmente a partir de Los Angeles, onde se instalou em 2018, depois de ter frequentado o prestigiado Berklee College of Music, em Boston, depois da sua formação em piano, em Portugal.
Quando existe um elevado nível de talento e a capacidade/vontade de o mostrar, é mais fácil (vá saber-se porquê) mostrar esse mesmo talento e ganhar espaço e estatuto fora das nossas fronteiras do que no pequeno espaço delimitado por essas mesmas fronteiras. Foi essa a aposta e a capacidade de Maro que, no mesmo ano, editou nada menos que cinco álbuns e vê os seus vídeos começam a chegar a muita gente. Jacob Collier (jovem músico britânico, vencedor de 4 Grammys) foi o primeiro a convidá-la para integrar a sua tournée mundial e daí até ser agenciada pela produtora de Quincy Jones, foi um passo.
Chegada a pandemia, Maro começou a ser notícia (discreta) por cá, quando decidiu apostar em performances no YouTube, chamadas “ITS ME, MARO! Calling…”, que partilhou de forma surpreendente como nomes como Eric Clapton, Lizzy McAlpine, Lennon Stella, Maria Gadú, Vitor Kley, Ana Vitória, Mayra Andrade, Rui Veloso, Dino D’Santiago e António Zambujo, entre outros.
No ano do Festival – 2022 - edita mais um álbum, “Can you see me?” e em 2023, chega “Hortelã”, o álbum que apresenta em selecionadas salas e festivais em Portugal.
Billie Eillish tece-lhe os maiores elogios, e Shaun Mendes convida-a para andar com ele pelos grandes palcos da Europa, de Cracóvia, a Colónia, passando por Londres, Amesterdão, Madrid e Lisboa (onde chega na próxima semana), para fazer as primeiras partes da sua Tour.
Aos 30 anos, Mariana Brito da Cruz Forjaz Secca, Maro, construiu já uma carreira sólida, aparentemente sem fronteiras, o que é fantástico. Mas de vez em quando convém olhar (mesmo sem perceber) para a complexidade das “fronteiras” existentes nas nossas mentes…

Agosto 21, 2025 . 14:00

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