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Ruído adia declaração de interesse público municipal do Cool Park

Espaço é conhecido, sobretudo, pelas festas de aniversário, batizado e casamento que acolhe.

A última Assembleia Municipal de Leiria deste mandato ficou marcada pelo adiamento do ponto número 9, correspondente à apreciação, discussão e votação da declaração de interesse público municipal do espaço Cool Park.
Queixas de ruído daquele espaço de diversão localizado na freguesia das Cortes, que muitos conhecem pelas festas de aniversário, batizado, casamento, entre outros eventos, chegaram aos ouvidos dos deputados municipais, que por desconhecimento da situação acabaram por adiar o debate e a aprovação da proposta, que iria permitir a regularização do espaço.
Em representação dos moradores do Moinho Novo, João Custódio, pediu aos deputados municipais na passada sexta- -feira que chumbassem a proposta do executivo camarário, não apenas pelo facto de o espaço ocupado pelo Cool Park estar localizado em área de “REN, RAN e leito de cheia”, como pelo ruído que provoca e que não tem dado sossego aos moradores.
“Os moradores não aguentam o barulho”, afirmou João Custódio, lembrando os “efeitos sonoros e psicológicos” que resultam do ruído.
“Desde que foi criado este parque de diversões que a vida na vizinhança passou a ser um desassossego frequente com a agravante de ser mais acentuado ao fim de semana. Na fase mais intensa das atividades do parque, as pessoas enclausuravam-se nas próprias casas, tentando mitigar a agressão do ruído”, revelou o morador, lembrando que os habitantes do Moinho Novo deram entrada no processo de licenciamento camarário em 2003 de uma exposição apresentando soluções, nomeadamente “a colocação de barreiras de som idênticas às existentes em certos pontos das vias rodoviárias, para mitigar a poluição sonora gerada pelas atividades; qualquer atividade festiva até às 20h00; e a atividade do corte de relva só se poder realizar até às 20h00”.
“Na proposta de declaração de interesse público que foi a votação na AM, não se encontra qualquer das propostas apresentadas. Apenas descreve um quadro idílico, fazendo referência mínima à vertente de exploração comercial que o projeto necessita para ser economicamente viável”, constatou João Custódio, lembrando ainda o “incómodo do movimento automóvel” na zona.
“É manifesta a vocação do parque para eventos sociais, mas são incompatíveis com o sossego das habitações confinantes”, salientou, temendo a perspetiva de “que o funcionamento do Cool Park continuará a ser perturbador do sossego dos residentes nas vizinhanças de forma grave e intolerável”. “Os habitantes do Moinho Novo têm direito ao sossego e à tranquilidade”, concluiu.
Manuel Azenha, deputado do BE, disse que “não fazia ideia que o Cool Park funcionava à noite”, desconhecendo “por completo a realidade que hoje [sexta-feira] foi aqui apresentada”. Pereira de Melo, deputado eleito pelo PSD e agora independente, considerou que o assunto “não coincide com o que está apresentado para aprovação”. Já Carlos Poço, do PSD, sugeriu o adiamento de um ponto que “levanta grande discussão”.
Embora o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, tenha assegurado estar pronto para apresentar a proposta, acedeu ao pedido de adiamento, propondo ainda que na altura do debate esteja presente a empresa que gere o Cool Park. Será agora um novo executivo e uma nova assembleia a deliberar o assunto depois das eleições autárquicas.
Ainda assim, o autarca admitiu aos deputados a participação de várias reclamações sobre o ruído, recordando a disponibilidade do executivo em realizar um “exame acústico”, algo que “foi recusado ser feito dentro da casa dos reclamantes”.
“Sou sensível e percebo a preocupação das atividades que têm este impacto e não é caso único. Temos vários pedidos de pessoas, moradores, a reclamar com atividades que alteram a paz e o sossego, sobretudo em zonas habitacionais. Acho que as pessoas não estão contra a atividade económica em si, estão sobretudo a pedir para que haja um controlo de atividades em termos sonoros. Fica registada a nossa disponibilidade para atestar essa situação para podermos intervir legalmente”, disse.

Setembro 17, 2025 . 12:00

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