Meu amor, dorme bem…
Este é talvez o texto (de todos os que escrevi para estas páginas) que mais dúvidas me mereceu, quer sobre o tema em si, quer sobre a sua pertinência…
O texto que mais maturou durante (vários) dias e noites. Até que, num estalar de dedos, passou a fazer sentido, todo o sentido. Num tempo conturbado, pleno de “falta de tempo”, de forma consciente ou inconsciente, as crianças são por vezes, muitas vezes, demasiadas vezes, as “vítimas” de um tempo nem sempre existente.
E os tempos que antecedem os sonos, os sonhos, são absolutamente marcantes. Na generalidade as canções que abordam a “hora de dormir” das crianças, são escritas na ótica infantil e quase sempre infantilizadas, através de “bonecos”…
Recentemente surgiu uma canção, escrita (obviamente) e cantada por adultos, que, em minha opinião, se destinará… a adultos, sem esquecer, antes pelo contrário, as crianças.
Quando a lua acordar/E entender que é boa hora p'ra brincar/O pai vai ter contigo/Com um livro p'ra te ler/E não arreda pé/Até o sono te vencer
O livro, a importância do ler, até o sono vencer, porque com ele, chegam os sonhos, tão fundamentais na vida
Meu amor, dorme bem/Que o pai vai só ali salvar o mundo/E já vem/Fecha os olhos, dorme bem/Que o pai só sai daqui/Com a autorização da mãe
Porque o mundo lá fora está mesmo a precisar de ser salvo, e no caso das crianças, serão seguramente os pais, os salvadores. Ainda assim, essa operação, só com autorização da mãe. Sem falsos moralismos machistas ou feministas. Só como uma barreira de defesa, de amor, fundamental para a criança, e…
Quando a noite te envolver/E as estrelas se arranjarem p'ra te ver/O pai fica uns minutos mais/apenas a olhar/E puxa os lençóis da cama/P'ra te aconchegar.
O aconchego…
Não sei se os autores da letra desta canção, são ou não, pais – recentes ou não - não sei qual a inspiração que esteve na origem deste tema, mas, em minha opinião, é resultado de um momento de inspiração que faz deste tema, muito mais que uma canção bonita ou bonitinha ou lamechas ou outra coisa qualquer, com sentido pejorativo ou não, que lhe queiramos atribuir. Porque geralmente “queremos” atribuir…
“Meu amor, dorme bem”, é uma canção da banda de Coimbra, Os Quatro e Meia, ouve-se por aí nas rádios nacionais, e quase se pode dizer que “quase toda a gente” já a ouviu. A questão é… “com que ouvidos?” .





