A indecência como método
O elevador da Glória, em Lisboa, caiu. Na queda arrastou 16 vítimas mortais e numerosos feridos, alguns em estado grave. Uma tragédia terrível que enlutou Lisboa e nos chocou a todos.
Em traços muito gerais, o velho elevador, um ícone de Lisboa, foi concebido e instalado em finais do Século XIX. Antes da 1ª Guerra Mundial foi electrificado. Funcionava num sistema de contrapesos: enquanto uma cabine descia, outra subia, estando as duas ligadas por um cabo. O cabo soltou-se e a cabine ao alto caiu desamparada, sem um eficaz sistema de travões que ajudasse a pará-la. O sistema com algumas alterações foi sendo mantido ao longo de mais de um século. Passou para a alçada da Carris e esta passou para a tutela da Câmara de Lisboa em 2017.
Os contratos e os prazos de manutenção, inspecções e correcções foram sempre cumpridos, nunca houve denúncia por técnico ou especialista do sector quanto à segurança do sistema nem quanto à sua obsolescência.
Quando aconteceu a tragédia, houve logo quem suscitasse culpas da Carris, da falta de manutenção, dos tradicionais desleixo e incúria portugueses, porque para muita gente é mais importante encontrar culpados do que soluções para os problemas.
Houve quem fosse mais longe: os mesmos socialistas que em 2017 passaram a Carris para a tutela da Câmara Municipal de Lisboa, que mantiveram (e porque não?) o sistema do elevador da Glória a funcionar tal e qualzinho, apressaram-se a vir acusar o actual Presidente da Câmara, Carlos Moedas da culpa pela queda do elevador.
Qual culpa? O sistema, mantido de acordo com um contrato celebrado sob a égide dos socialistas, funcionou sem problemas até agora; O actual executivo camarário não alterou nada do que vinha de trás, até porque nenhuma razão tinha sido apontada para determinar qualquer alteração; não havia qualquer sinal ou aviso de perigo mais ou menos iminente; o facto de o elevador trabalhar com mais gente lá dentro, porque os turistas queriam muito lá andar, não foi apontado por ninguém como um factor de perigo potencial. Então, culpa de quê?
Bom, a “culpa” tem a ver com as eleições que se aproximam. A Câmara de Lisboa mudou de mãos em 2021, saíram os socialistas e entrou o PSD/CDS. Essa é que é a culpa. Para quem não se recorde, António Costa foi eleito Presidente da Câmara de Lisboa por uma porta aberta pelo Ministério Público com uma acusação a Carmona Rodrigues que nunca deu em nada. Carmona teve de se demitir em péssimas circunstâncias, e os socialistas aproveitaram o “regabofe” e ganharam a Câmara. Como governaram pessimamente, perderam-na em 2021. Agora sonhavam ter outro caso que lhes franqueasse as portas da Câmara e o elevador d Glória parecia vir mesmo a calhar.
O sentimento de choque que a tragédia causou, queriam-no eles aproveitar para virar a opinião pública contra Carlos Moedas, e os factos que se danem. É o que se chama um indecência, o aproveitamento de uma tragédia para ganhos políticos. No entanto, lamento dizê-lo, mas verifico que é o método socialista.
Já nem falo do Chega, partido onde até incendiários se acoitam e que vem acusar o Governo da “culpa” dos incêndios, o Presidente da Câmara de Lisboa, da culpa do elevador e acusariam o “sistema” se houvesse outro terramoto. Esses estão para além da fasquia ética.
Falo dos socialistas, um partido em queda livre para o qual tudo parece servir – agora é o lixo e a higiene urbana, frustrado que foi o elevador da Glória – para marcar pontos contra a actual Câmara. Convém ter presente que os socialistas governaram Lisboa entre 2007 e 2021, 14 anos seguidos. Todos os problemas que agora denunciam são os que eles não resolveram nesse período de tempo. Na actual vereação têm feito tudo para impedir Carlos Moedas de os resolver. Até em relação às Jornadas Mundiais da Juventude procuraram por todos os meios sabotar a acção da Câmara através de um tal José Sá Fernandes, que tinham designado comissário para a organização das Jornadas e que menos de um ano antes da sua realização ainda não tinha feito nada e a seguir procurou impedir os outros de trabalhar.
Claro que se estavam a preparar para as mais acerbas críticas se as Jornadas tivessem corrido mal. Como correram maravilhosamente, meteram a viola no saco. Até ao elevador da Glória, que lhes veio dar novo alento.
É a indecência como método.





