
Sofia Carreira pede “uma maioria de votos” que “permita executar o programa” eleitoral
Diário de Leiria: Quais são as suas três prioridades estratégicas para o concelho de Leiria?
Sofia Carreira: Definimos cinco: Mobilidade urbana, Segurança, Desenvolvimento económico, Território e Urbanismo e Habitação.
A mobilidade é um dos maiores desafios de Leiria. Não apenas quanto ao trânsito e ao estacionamento: é uma questão de qualidade de vida, de justiça social e de acesso à cidade. Precisamos de mais parques de estacionamento periféricos. Precisamos de uma ligação à Marinha Grande em Metro de Superfície que assegure também a ligação à futura Estação da Linha de Alta Velocidade. Queremos uma cidade mais acessível, mais funcional e mais amiga do ambiente.
A segurança é um direito fundamental. Uma cidade segura é uma cidade onde as pessoas vivem com tranquilidade, sentem confiança no espaço público e sabem que podem contar com respostas rápidas. Vamos pressionar o Governo para garantir o reforço de meios humanos e equipamentos da PSP e GNR, a par das suas instalações definitiva, com isto garantindo um real policiamento de proximidade. Reforçaremos a iluminação pública, especialmente em zonas habitacionais e no percurso Polis.
Leiria precisa de um novo ciclo económico: mais inovação, mais investimento, mais oportunidades. O atual modelo está esgotado. O comércio definha. As zonas industriais foram esquecidas. Os jovens saem porque não encontram aqui futuro. Precisamos de um Parque de Ciência e Tecnologia, em parceria com o Politécnico, para impulsionar inovação, investigação e ligação entre academia e indústria. Apostaremos na ocupação efetiva do Parque Empresarial de Monte Redondo, onde deve ser instalada uma Plataforma Logística, na revitalização da Zicofa e na criação de novas zonas industriais. Ao mesmo tempo, o comércio local precisa de apoio, designadamente apostando em mais habitação no centro histórico, estacionamento acessível e num Marketplace digital para promover os seus produtos.
Cuidar do território é cuidar das pessoas. Leiria precisa de planeamento, de equilíbrio e de valorização do seu património. Acresce que a chegada da Linha de Alta Velocidade nos coloca desafios a que temos que estar preparados para responder. O ano de 2035 está já ali ao virar da esquina e se nada fizermos ficaremos limitados a… ver passar os comboios.
Em 2035 temos que ser uma cidade e um território atrativos para a fixação de pessoas, seja quem aqui vive sejam novos habitantes. Precisamos de apoiar as empresas existentes e de atrair muitas outras. Precisamos de planeamento urbano rigoroso e acessibilidades que garantam centralidade para a região.
Precisamos de rever os instrumentos de planeamento, incluindo o PDM.
A crise habitacional é real. A subida dos preços, a escassez de oferta e o abandono das políticas públicas de habitação deixaram muitas famílias sem solução. A habitação é um direito. Sem casa, não há cidade. E sem urbanismo inteligente não há futuro.
Dos recursos financeiros disponíveis no orçamento do município, a que área deve corresponder a maior ‘fatia’?
Em primeiro lugar, é preciso saber concreta e efetivamente quais são os recursos disponíveis, eliminar desperdícios e otimizar todos os recursos. A nossa principal atenção foca-se nas pessoas e na satisfação das suas necessidades. Neste sentido, a maior ‘fatia’ dos orçamentos será destinada à área social, aqui considerando a habitação, a saúde, a educação, a mobilidade e a segurança. Sem esquecer que há ainda leirienses que não têm abastecimento de água nem saneamento básico.
Que projetos tem para colmatar as maiores necessidades da população na habitação, educação e saúde?
Na Saúde e na Educação, as responsabilidades principais são da Administração Central pelo que estaremos sempre atentos às carências e necessidades, insistindo na sua rápida satisfação. A par dessa atenção, a Câmara garantirá a sua parte, quer no que respeita às instalações quer no apoio aos mais necessitados. Onde se revelar indispensável, substituiremos a Administração Central para ultrapassar carências e constrangimentos, como é o caso do Projeto Bata Branca.
Quanto à Habitação, promoveremos a construção de mil novos fogos a custo controlados e a reabilitação de edifícios devolutos, como o Bairro da Prisão Escola, reforçaremos o Programa de Arrendamento Acessível, aprovaremos uma revisão do Regulamento do Centro Histórico, que facilite a habitação e a reabilitação do edificado, incentivaremos a construção acessível, com redução de taxas, benefícios fiscais e adesão ao modelo Simplex Urbanístico e lançaremos uma Plataforma Autarquia Digital, para descomplicar licenciamentos, facilitar processos e promover transparência.
Qual seria um bom (e realista) resultado eleitoral para o vosso partido?
O bom resultado é vencer as eleições. É para isso que nos preparámos e é isso que estamos a pedir às e aos leirienses: uma maioria de votos que nos permita executar o programa que apresentámos.
Em caso de não existir maioria absoluta, está preparada para fazer acordos? Com quem?
Em primeiro lugar é preciso que o eleitorado fale. Depois é preciso interpretar a vontade das e dos leirienses traduzida nos resultados. Em face disso procurar os acordos necessários, sem cedências a populismos e extremismos. A nossa preocupação é Leiria, o Concelho, as Freguesias e os anseios da população. Naturalmente, esperamos o mesmo comportamento da parte das outras candidaturas. A Democracia é discordância e pluralidade nas propostas, mas é também convergência e responsabilidade na ação.
Se for eleita, qual seria a principal mudança que gostaria de alcançar num mandato?
A principal mudança será pôr Leiria no mapa que interessa. No mapa da satisfação das necessidades básicas das pessoas, desde o abastecimento de água à habitação digna e acessível, da prosperidade económica à mobilidade, da educação à saúde, da segurança à sustentabilidade ambiental, da cultura ao desporto e lazer. Numa frase, oferecer qualidade de vida e perspetivas de realização pessoal e profissional. Aqui, em Leiria. Claro que estes objetivos não se alcançam com um estalar de dedos: exigem trabalho, dedicação e tempo. Mas serão o farol da nossa ação diária.
Nota biográfica
Nome: Sofia Isabel Carreira
Idade: 51 anos
Profissão: Técnica Superior de Museologia. Atualmente, exerce funções como deputada na Assembleia da República e integra a Comissão Política de Secção de Leiria do PSD.
Habilitações académicas: Licenciada em História, pós-graduada em Museologia e Património, possui diploma de estudos avançados em Museologia pela Universidade Nova de Lisboa
Naturalidade: Leiria









