
Cristina Maria apresenta novo álbum em Leiria
A cantora Cristina Maria apresenta, no próximo sábado, dia 11, no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria, o seu novo álbum, ‘Entre a Pedra e a Canção’, a editar em novembro, no qual conta a sua história.
Em entrevista à agência Lusa, a intérprete reconheceu que se “expõe muito” num álbum que é ”um tributo à [sua] vida e obra, enquanto fadista, escultora [e] cantora”.
Cristina Maria divide-se entre duas artes, a escultura, há 27 anos, e o fado, há 18 anos, “e na música, uma vida”, acrescentou a também clarinetista.
A cantora reconheceu ser este o seu álbum mais distante do fado: “Embora tenhamos fado, vai a outras raízes [musicais], a outras realidades, que afinal sempre fizeram parte do meu universo musical”, disse.
“Há algum distanciamento, embora sinta que a 'música mãe', e que está intrínseca, é sempre o fado, e depois foi deixar à criatividade, não só minha como dos outros compositores, de viajar noutros universos musicais, mas sempre dentro de um espaço de conforto para mim”.
A fadista referiu-se a “outras abordagens musicais” que fez em anteriores álbuns, tendo até gravado uma morna, ‘Maria Bárbara’.
Agora, porém, trata-se de “um álbum com uma universalidade musical” que reflete as suas influências musicais e artísticas, acentuou.
“Nos temas originais foi um risco, mas estou muito contente com o resultado”, disse, acrescentando que “este álbum é muito mais confessional que os anteriores”.
“‘Entre a Pedra e a Canção’ é uma viagem cultural e musical onde se unem as duas artes [a escultura e a música] e conta parte da minha vida e obra enquanto escultora, cantora, fadista e também quem é a mulher nesta dualidade artística”.
A canção ‘A Alma e o Cinzel’ (Cristina Maria) abre o álbum que inclui outros temas da sua autoria como ‘Entre a Pedra e a Canção’ e ‘Atelier’, assinando ainda ‘Filha do Tempo’, que Nuno Junqueira musicou, e ‘Ao Encontro de Mim’, que é musicada por si, sobre uma letra de Catarina Carvalho, que escreveu para a intérprete em anteriores trabalhos.
Cristina Maria disse que o “objetivo claro foi fazer um disco de carreira”, abordando as duas artes nas quais tem trabalhado, entre a pedra e a canção.
“Muitas vezes acontece-me quando estou a esculpir, surgir-me uma melodia e trauteá-la, ou um verso”, confessou.
“‘Entre a Pedra e a Canção’ fala não só da criadora de obras de arte como da compositora, mesmo modesta que seja, dentro das sonoridades de que gosto, e, sobretudo da poesia”, afirmou.
“A Cristina anda sempre 'entre a pedra e a canção'. Se na pedra a música me inspira, na canção a pedra igualmente me inspira. É uma realidade que anda de mãos dadas há largos anos”, assegurou.
Ser escultora e fadista é “uma condição de vida” para Cristina Maria, que se afirma “grata por estes caminhos se cruzarem” consigo.
Cristina Maria entende que o público a reconhece e tem admiração por ambas as artes.
“Continuo a ser uma grande teimosa nesta persistência constante de dizer que é possível a mesma pessoa representar duas áreas artísticas tão fortes que, a priori, parece que não se complementam, mas na minha verdade e no sentir complementam-se perfeitamente, aliás já não dissocio uma da outra”.
O álbum inclui ainda os temas ‘Amor Quem Sabe’, de Ana Sofia Paiva e Marco Oliveira, ‘Vira Portugal’, ‘Era uma Guitarra’ e ‘Lápis de Cor’, todos com letra e música de Ricardo Silva, e ‘Escutai-me’, de Custódio Castelo.
‘Como é hábito’, Cristina Maria apresenta antecipadamente o novo álbum, na região onde reside, em Leiria, no Teatro José Lúcio da Silva, no dia 11 de outubro.
Cristina Maria vai partilhar o palco com Ricardo Silva, na guitarra portuguesa, que foi também o produtor do álbum, Bernardo Saldanha, na guitarra clássica, Jorge Guerreiro, no contrabaixo, e João Maneta, nas percussões.
Como convidados, vão estar o violoncelista David Zacaria, o pianista Nuno Junqueiro, o bandolinista Eduardo Miranda e o acordeonista Carlos Lopes, além da “convidada especial”, Ana Lains, por quem Cristina Maria tem “uma grande admiração”.






