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Cistermúsica segue com expo-concerto inspirado em Cem Anos de Solidão

Espetáculo único em Portugal junta um recital de piano a uma exposição fotográfica, em homenagem à obra-prima de García Márquez.

O ciclo Cistermúsica Fronteiras arrancou no passado sábado com a irreverência e o ecletismo da criação contemporânea, através da cantata cénica Delícia de Morangos com Chantilly, interpretada pela Banda Sinfónica Portuguesa e o Quarteto Contratempus. Com foco na criação contemporânea, o ciclo, que decorre até dezembro, apresenta programas que estreitam laços entre a música e outras formas de expressão artística.
É o caso do próximo espetáculo, amanhã, o expo-concerto Reflexos de Macondo — uma proposta artística dos artistas Óscar Perfer (fotógrafo colombiano) e María José de Bustos (pianista espanhola) — com apresentação única em Portugal.
A Adega dos Balseiros do Museu do Vinho de Alcobaça, espaço de ambiente íntimo e singular, acolhe esta homenagem à obra Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez, numa viagem musical e visual até Macondo, a cidade imaginária do romance.
O fotógrafo Oscar Perfer apresenta retratos inspirados nas personagens do livro, expostos em telas de grande formato entre a plateia. O público é convidado a contemplar cada imagem enquanto María José de Bustos interpreta, ao piano, obras de Schubert, Sibelius, Brahms, Debussy, Chopin, Ravel, entre outros.
O fascínio que a música exerceu sobre Gabriel García Márquez, dando ritmo às suas palavras e acompanhando os seus pensamentos, é o mote para este espetáculo imersivo que, unindo a música, literatura e fotografia, convida o público a “ver a música e ouvir as imagens”.

Outubro terminacom música coral improvisada e inovadora
Ainda em outubro, dia 26, a programação Fronteiras traz ao Mosteiro de Alcobaça Leida, um ensemble vocal de oito intérpretes que propõe uma experiência única e site-specific, criada pela compositora e maestrina Mariana Dionísio.
Aliando criação contemporânea e espaço acústico, Leida tira partido da longa reverberação do refeitório do mosteiro, o cenário ideal para esta apresentação que propõe uma nova forma de pensar a voz e o canto coletivo.
Um projeto que questiona os paradigmas da música coral e integra a improvisação como núcleo criativo, em que cada peça é concebida como um “sub-instrumento”: vivo, imprevisível e em diálogo constante com o espaço e o público. O resultado é uma experiência imersiva e contemplativa, entre o concerto e a instalação sonora.
Rota de Cister
em andamento e Fronteiras até dezembro
Entre novembro e até ao início de dezembro, a programação Fronteiras oferece mais sete espetáculos em Alcobaça, trazendo a palco Carlos Bica, Mário Laginha, João Vasco e Ivo Canelas, a Orquestra de Jazz do Hot Club de Portugal, entre outros.
Por sua vez, a Rota de Cister, que ao longo do ano promove concertos no património cisterciense, passa este sábado pelo Mosteiro de Odivelas, com o programa D. Diniz, do Grupo Vocal Olisipo, num concerto de entrada livre inserido nas comemorações do VII centenário da morte de D. Dinis (1261–1325).
O ensemble vocal apresenta uma viagem pelas raízes medievais e renascentistas da música ibérica, incluindo duas Cantigas de Amor da autoria de D. Dinis, rei-poeta que jaz sepultado na igreja daquele mosteiro, mas também obras de Martim Codax, Alfonso X, Pedro de Escobar, Vicente Lusitano e Damião de Góis.
O programa musical fecha com um salto da era medieval para a irreverência contemporânea, com a peça Blá-blá-blá do jovem compositor Pedro Lima.

Outubro 18, 2025 . 11:00

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