
Futuro dos funerais deveria ser a cremação?
“As pessoas têm que mudar o paradigma da morte. Não faz sentido ocupar tanta área com cemitérios. Nos Marrazes, já aumentámos o cemitério três vezes e não vamos aumentar mais. Além disso, os solos ficam contaminados”, defende Paulo Clemente, reeleito presidente da União de Freguesias de Marrazes e Barosa, para quem o futuro dos funerais deverá ser a cremação. Para o autarca, há várias questões em causa, nomeadamente a área “consumida” pelos cemitérios, mas também o potencial de contaminação dos solos.
É que as urnas que chegam à terra podem conter tudo, de colas a vernizes, ferragens ou tecidos sintéticos, contribuindo para a potencial contaminação de que o autarca fala. Além disso, há ainda a questão das próprias covas. Embora no cemitério dos Marrazes, por exemplo, exista uma máquina para auxiliar a abertura de campas, a verdade é nem sempre pode ser usada a máquina e há solos que são especialmente difíceis de trabalhar. Abrir uma cova em trabalho braçal é “um trabalho do século XVIII”, queixa-se o autarca. E não há quem queira desempenhar as funções, assume ainda o presidente da Junta, lembrando que, para os cinco cemitérios que estão sob a sua responsabilidade (Marrazes, Gândara, Barosa, Pinheiros e Janardo) há apenas um coveiro. É uma função com um vencimento pouco atrativo, um trabalho difícil e que exige uma estrutura mental de grande resistência face à natureza do trabalho. Por tudo isto, Paulo Clemente é defensor de que todos deveriam optar pela cremação. Mas ainda não é isso que acontece – embora as cremações estejam a aumentar.
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