
O país precisa de “multiplicar o exemplo daquilo que se faz em Leiria”
O candidato à Presidência da República Marques Mendes defendeu em Leiria que o país devia seguir o exemplo daquilo que se faz no distrito ao nível da inovação e na capacidade de traçar cenários futuros e de concretizá-los.
Falando da necessidade de Portugal ter de melhorar os seus índices de crescimento económico, Marques Mendes destacou que Leiria é, nesse ponto de vista, “uma região exemplar”. “Mas nem todas [as regiões] do país o são e o país precisa de seguir e multiplicar o exemplo daquilo que se faz no distrito de Leiria. Aqui inova-se, aqui investe-se, aqui tem-se uma capacidade de prever e perspetivar o futuro muito grandes. É uma região, de facto, diferente. E nós temos de multiplicar estes bons exemplos”, enalteceu o candidato a Belém na sua intervenção no NEXXT Leiria, no Teatro Miguel Franco, esta quarta-feira.
Num discurso que tinha como tema ‘Educar Hoje: o talento que lidera o amanhã’, Marques Mendes destacou que Portugal recebeu nos últimos 30 anos um valor recorde de 180 mil milhões de euros, o que representa um valor seis mil milhões de euros por ano, mas que esse investimento não é representativo de crescimento económico.
“Há 30 anos, estávamos a 81% da média europeia comunitária, em termos do nosso PIB. Agora crescemos de 81% para 82%. Um ponto percentual apenas apesar de 180 mil milhões de euros de fundos. Ou seja, estivemos quase a marcar passo em termos de crescimento porque nem todo o país é o exemplo que temos aqui em Leiria”, salientou, concluindo que “não chega atirar dinheiro para cima dos problemas”.
Nesse sentido, Marques Mendes preconiza mudanças políticas em Portugal em cinco áreas estratégicas, começando desde logo com um sistema fiscal que tem de ser “mais competitivo” no domínio das empresas e das pessoas, para que estes tenham de facto uma “real vontade e estimulo para investir”. Apela ainda a uma mudança ao nível da burocracia e descentralização. “A burocracia é uma calamidade nacional”, disse perante a plateia, dando conta que “grandes ideias e grandes projetos ficam muitas vezes pelo caminho por causa do excesso de burocracia em Portugal que nunca foi tão grande como agora”. “É isto que assusta os investidores”, assumiu. Sobre a descentralização, o candidato acredita que “uma decisão tomada a nível local é uma decisão muito mais eficiente e mais sólida” porque “há uma relação de proximidade com as pessoas”. “Ou se faz pressão neste sentido ou nunca haverá descentralização a sério”, resumiu.
A terceira mudança política está relacionada com as exportações, que, segundo Marques Mendes, tiveram “um aumento fantástico” nos últimos anos, mas é preciso mais. “Na Europa, países da nossa dimensão, exportam muito mais”, explicou, adiantando que o novo acordo entre a União Europeia e a Mercosul - um mercado de 700 milhões de consumidores – é uma janela de oportunidade para Portugal e uma alternativa ao mercado norte-americano.
Outra mudança passa pela inovação e inteligência artificial em que, mais uma vez, o candidato refere que Leiria “não tem grandes lições a receber”, mas que é necessário que a investigação que se faz nas universidades e nos laboratórios do estado “se transforme em negócio, em incremento empresarial”. Por último, Marques Mendes destacou a necessidade de atrair e reter talento que só é possível com “melhor economia e melhores salários”.








