
Autarca quer Governo a “compensar” Pedrógão Grande
O presidente da Câmara Municipal de Pedrógão Grande afirmou que os recursos financeiros do Governo e da União Europeia colocados à disposição daquele concelho do norte do distrito de Leiria depois de atingido pelo flagelo dos incêndios em 2017 não foram aproveitados “por inépcia”.
“Sei que não é possível recuperar o investimento que deveria ter sido feito nessa altura, pois o governo e a União Europeia puseram os recursos financeiros ao dispor de Pedrógão, mas infelizmente não os soubemos aproveitar, por inépcia”, afirmou João Marques, no discurso de tomada de posse como presidente da Câmara, esperando que o Governo “reconheça esse prejuízo” e “possa compensar com contratos programa para obras de recuperação e reabilitação do património perdido, mas também para obrar estruturantes e inovadoras, que criem qualidade de vida aos pedroguenses”.
Consciente de que os recursos do município são “muito escassos” para “fazer frente às necessidades”, o autarca eleito afirmou que irá estar atento aos fundos comunitários e ser “muito exigente” com o Governo para “o estabelecimento de protocolos e contratos-programa para concretizar obras que deveriam estar realizadas, de acordo com as promessas feitas em 2017”.
No discurso de tomada de posse, João Marques lembrou o slogan da campanha ‘Pedrógão tem futuro’ para garantir que se trata de uma “missão”. “Uma incumbência que assumimos perante todos vos e que irá ser o fito, a mira que guiará toda a nossa ação neste mandato”.
João Marques recordou o seu programa eleitoral, desde logo com destaque para a “habitação, turismo, comércio e serviços e indústria”, a par da “captação de investimento privado, que crie emprego, no ambiente e preservação da natureza, no património arquitetónica, na floresta”. O autarca deixou ainda uma palavra aos trabalhadores do município, propondo “mais formação” e “adaptando os serviços, fazer as alterações que em conjunto com eles se verifiquem ser necessárias”.
“Na Câmara Municipal, todos somos funcionários dos munícipes, todos somos empregados dos pedroguenses, incluindo o presidente e os vereadores”, afirmou.
Para Pedrógão Grande ter “futuro”, João Marques defende que “tem que ser capaz de captar investimento empresarial que crie postos de trabalho remunerados”, como “tem que apostar em investimentos inovadores e diferenciadores que afirmem o concelho no âmbito regional e nacional”. Por outro lado, o concelho “tem que mobilizar a comunidade estrangeira aproveitando as suas capacidades empreendedoras e competências técnicas”.
João Marques entende que o futuro de Pedrógão Grande tem também que passar por uma aposta na digitalização e no trabalho à distância “como forma de fixar pessoas e fazer regressar alguns dos que partiram”, assim como na cultura, “promovendo as suas tradições e padrões culturais e apoiando os seus artistas e autores locais e também aqueles que cá se radicaram”. De igual forma, “tem que apostar na educação” e “melhorar os cuidados de saúde e assistência social prestados”. Por fim, “Pedrógão precisa principalmente de pessoas ativas, dinâmicas, ‘fazedoras’, investidoras, pessoas capazes e interessadas em contribuir para o seu desenvolvimento”.
O autarca confessou que “já não estava a contar regressar à vida política” depois dos muitos anos dedicados à causa pública, mas a “insistência” dos dirigentes do PSD, o amor a Pedrógão Grande e o “bichinho” da política, levou-o a candidatar-se à Câmara Municipal. O resultado foi conhecido no dia 12 de outubro. Pedrógão Grande deu-lhe maioria, e embora a esperança seja “enorme” neste executivo, o presidente da Câmara eleito, consciente de que não será capaz “de tudo resolver”, assegura que terá a “certeza”, a “convicção”, a “força”, a “determinação” e a “capacidade de trabalho” para “tudo fazer para o engrandecimento, afirmação e prestígio” do concelho.








