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António Costa e Luís Montenegro

Novembro 18, 2025 . 14:30
Opinião: "É assim lamentável que sucessivos dirigentes políticos dos últimos vinte anos não sintam a necessidade de se fazerem respeitar e não tentem apresentar aos portugueses um pensamento estruturado sobre os problemas dos seus ministérios e do País, ou uma qualquer estratégia para os resolver".

Passado mais de um ano de governo da AD do primeiro-ministro Luís Montenegro, não posso deixar de lamentar que a qualidade da governação e o seu nível de competência, não seja muito diferente da dos governos do PS de António Costa, lamentando que o critério das escolhas ministeriais seja equivalente, com ministros e ministras que não enganam pela sua deficiente qualidade. De facto, ao ver e ouvir as intervenções no Parlamento, ou através das televisões, não posso deixar de criticar a habitual confusão de conceitos e a falta de consistência das propostas. Não posso também deixar de denunciar a frequência com que falam para as televisões e não compreendo porque não estabelecem alguma protecção, por exemplo uma conferência de imprensa semanal, em vez de desenvolverem o hábito de falar de tudo e mal sempre que são apanhados em qualquer lugar público.

Em abono da verdade, diga-se que o Presidente da República não faz melhor e por sua vez contribui para banalizar gravemente o discurso político. É assim lamentável que sucessivos dirigentes políticos dos últimos vinte anos não sintam a necessidade de se fazerem respeitar e não tentem apresentar aos portugueses um pensamento estruturado sobre os problemas dos seus ministérios e do País, ou uma qualquer estratégia para os resolver, em que tudo se passa através de palavras ocas sem qualquer valor prático. Como não compreendo o hábito de responderem a todas e quaisquer perguntas feitas pelos jornalistas, com respostas por vezes tão tontas como as perguntas, o que gera enormes dúvidas sobre a preparação dos governantes para resolver os desafios que Portugal enfrenta, criando uma descrença generalizada sobre o futuro do País.

O caso mais lamentável e provavelmente o mais trágico é o da senhora ministra da Saúde, cujo esforço e simpatia não chegam para esconder o buraco em que a meteram. Por exemplo, não sei de quem foi a ideia de despedir de imediato o diretor-geral nomeado pelo PS, que beneficiava de alguma simpatia pública e era a pessoa necessária para sofrer o primeiro embate dos previsíveis desastres no sector da saúde, o que revelou cedo alguma impreparação política. Pior, a ministra cometeu o erro da convivência com o modelo dos tarefeiros e não utilizou logo o modelo das anteriores parcerias público privadas nos hospitais. Por essa razão surpreende que ninguém se pergunte qual a razão de não se ouvir falar das mesmas desgraças diárias do sector da saúde, no hospital de Cascais. Também não se compreende a razão de nada ter sido decidido no caso das mortes devidas à provável ausência de assistência criminosa dos funcionários em greve, funcionários que se aproveitaram da situação para armadilhar a ministra e esta não os suspendeu de imediato para a realização de um inquérito.

Um outro caso é o da ministra do ambiente e da energia, esse bastante mais grave porque não é o resultado de ignorância ou de inexperiência da ministra, mas a cedência consciente aos interesses instalados dos lóbis da energia, os quais não largam há mais de vinte anos os apoios do Estado. Lóbis que só se decidem a investir nas energias renováveis com o apoio público e em condições de preço e de prazo de contractos ruinosos para a economia, mas fortes criadores de novos milionários. Estou certo de que a senhora ministra não foi colocada naquele ministério por puro acaso, mas para servir os lucrativos interesses que têm permitido tornar os preços das energias renováveis mais caros e com grave prejuízo das famílias e da economia. Da mesma forma que a energia nunca deveria estar situada no ministério do ambiente, mas no ministério da economia.

Finalmente, o desastre constituído pelo ministro das infraestruturas e da habitação, o qual representa um caso particular de má governação e demonstra, só por si, o erro do primeiro-ministro na escolha do seu governo. Nisso consegue ombrear com António Costa.

Novembro 18, 2025 . 14:30

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