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Obras do troço Soure-Carregado da alta velocidade começam no final de 2028

A informação foi avançada pelo vice-presidente da Infraestruturas de Portugal, à margem da assinatura de um protocolo que formaliza o início da elaboração do plano de urbanização da nova estação de Leiria da Alta Velocidade.

A Infraestruturas de Portugal (IP) prevê que as obras do troço Soure-Carregado da alta velocidade ferroviária, que inclui uma estação na Barosa, em Leiria, comecem no final de 2028.
“A nossa expectativa é até final de 2027 ter o contrato assinado. Os projetos começam logo no início de 2028 e até ao final do ano esperamos ter obra a correr, até ao final do ano de 2028”, afirmou, em Leiria, Carlos Fernandes.
O vice-presidente da IP esclareceu que “estes concursos são concursos complexos, normalmente são cerca de um ano e meio até se assinar o contrato”.
“Se as coisas correrem normalmente, e elas têm corrido, nós apresentámos este projeto em setembro de 2022, ainda no Governo do dr. António Costa, ele tem continuado da mesma forma com este Governo do dr. Luís Montenegro, e nós estamos a cumprir os prazos todos, de uma forma geral”, declarou.
Este responsável da IP referiu, na ocasião, que, com a obtenção da declaração de impacto ambiental, “o passo seguinte agora é preparar toda a documentação do concurso”, para se estar em condições de o lançar até ao final do primeiro semestre do próximo ano.
“Temos um valor de construção na ordem dos três mil milhões [de euros], uma extensão de cerca de 130 quilómetros, teremos depois cerca de 8,5 quilómetros de ligação da linha de alta velocidade à linha convencional, para permitir as ligações e a articulação entre as duas redes”, adiantou o responsável.

Pontapé de saída para a construção da estação
As declarações de Carlos Fernandes foram feitas ontem, à margem da assinatura de um protocolo de cooperação entre o Município de Leiria e a IP, para a elaboração dos planos de urbanização da nova estação de Leiria e da atual estação na Sismaria, no âmbito da implementação do troço Soure-Carregado.
O momento serviu como um dos primeiros passos para o arranque do processo de planeamento da Nova Estação de Leiria da Alta Velocidade, com a assinatura do protocolo, um documento que estabelece as bases técnicas para a criação de uma nova centralidade urbana na zona da Barosa.
Carlos Fernandes esclareceu que com esta nova estação, “as empresas sediadas em Leiria vão captar trabalhadores de uma área muito mais alargada”, uma vez que “será mais fácil chegar a Leiria e será muito mais fácil, para quem habita em Leiria chegar, por exemplo a Coimbra, que fica a 20 minutos”.
Na sua intervenção, adiantou que este plano de urbanização prevê “valorizar a envolvente da nova estação e criar um polo de atividade económica na nova estação”, bem como a intermodalidade, com a integração de diferentes modos de transporte, para que, esclareceu, “quem vai para a cidade possa apanhar um comboio convencional ou um transporte público”.
Sem esquecer a atual estação, o responsável destacou a necessidade de “não deixar morrer aquele espaço”, garantindo a reafetação “adequada” dos terrenos e assegurando o desenvolvimento sustentável e qualificado da zona.
Carlos Fernandes salientou ainda a necessidade de criar um conjunto de acessibilidades que “promovam a viagem fácil e direta”, através da requalificação da Estrada Nacional (EN) 242 entre a rotunda da Barosa (nó com A8 e A17 e Leiria (viaduto da A19), a ligação da estação à EN242 e a ligação à rede de infraestruturas de modos suaves.
Já o vereador da Câmara de Leiria responsável pelo pelouro da Mobilidade, Luís Lopes, apresentou o conjunto de prioridades do município para garantir acessibilidades eficazes à nova estação, destacando intervenções como a duplicação da EN242 entre a A8 e o Nó do Barruivo, a construção de um viaduto sobre a A19, a ligação direta ao Terminal Intermodal de Leiria, a reformulação dos principais nós rodoviários e a transformação do canal desativado da Linha do Oeste numa via dedicada a modos suaves e transporte público elétrico.
Na sua intervenção, Luís Lopes sublinhou que tem que ser garantido a quem chega a Leiria pela nova estação “alternativas de transporte” para que a ligação ao território seja “permanente”.
Sobre a EN242, o vereador alertou que não se pode esperar por “2032” para que aquela via sofra “uma intervenção”, mas sobretudo “uma solução em termos de mobilidade para os dois concelhos que liga [Leiria e Marinha Grande]”. “Para nós é crucial que a EN242 tenha uma reconfiguração, mas não chega só o troço, porque podemos chegar mais rápido a Leiria e Marinha Grande, mas se não tivermos forma de entrar na cidade acabamos por ter o mesmo problema”, adiantou.
No que diz respeito ao Plano de Urbanização de Sismaria, Luís Lopes afirmou que aquela é “uma zona urbanisticamente muito pressionada” e por isso se optou por mudar a localização da nova estação, considerando ainda assim aquela zona “fundamental” para a identidade da cidade e das freguesias. Por isso mesmo, Luís Lopes destacou a importância de existir um projeto para reabilitar o edifício e garantir a ligação da atual à futura estação, para a qual disse já haver propostas.
O autarca salientou ainda que a zona da Barosa “é uma das maiores áreas para absorção de água”, sendo igualmente importante “fazer parte do projeto uma zona de equilíbrio ambiental”.

Novembro 19, 2025 . 08:00

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