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O charme discreto de um talento (cada vez) maior

Novembro 27, 2025 . 13:31
Opinião: “’Memória’, tema escrito pela fadista portuguesa, surge no álbum ‘Lux’, da cantora catalã, como um dos grandes temas do disco e com uma interpretação brilhante e arrasadora de Rosalia e de Carminho. O mundo vai estar atento e no que à portuguesa diz respeito, por coincidência, ela anda até ao final do ano a pisar os maiores palcos das Américas”.

Carminho. E quase de uma assentada, ainda na fase de descoberta do seu novo e sétimo álbum, “Eu vou morrer de amor ou resistir”, um disco muito “Carminho” (entenderão decerto o significado, na audição e na ficha técnica), no qual marca presença – imagine-se – o grande ícone nova-iorquino Laurie Andersen, e eis que surge o novíssimo álbum (e já considerado um dos melhores do ano e Andrew Lloyd Webber classifica-o com um dos grandes discos desta decada) da estrela pop mundial Rosalia, que conta com Bjork, Yves Tumor, Silvia Perez Cruz, Orquestra Sinfónica de Londres e… Carminho.
“Memória”, tema escrito pela fadista portuguesa, surge no álbum “Lux”, da cantora catalã, como um dos grandes temas do disco e com uma interpretação brilhante e arrasadora de Rosalia e de Carminho. O mundo vai estar atento e no que à portuguesa diz respeito, por coincidência, ela anda até ao final do ano a pisar os maiores palcos das Américas.
Mas os caminhos e os talentos vão sendo construídos ao longo dos tempos, e nesse caminho foram importantes, nos últimos anos, três eventos muito diferentes entre si, mas que a catapultaram para universos maiores.
Refiro-me ao convite de Chris Martin dos Coldplay, para cantar nos famosos concertos de Coimbra, à magistral e emotiva interpretação do tema “Estrela” para o Papa Francisco, nas JMJ realizadas em Lisboa (perante 1,5 milhões de espectadores, e 600 milhões de telespectadores) e por fim, talvez a mais mediática à escala mundial, a sua colaboração no filme “Poor Things”, do realizador Yorgos Lanthimos, protagonizado por Emma Stone, que a colocou sobre os holofotes de Hollywood, ao lado de estrelas como Taylor Swift, ou a própria Emma Stone, entre outras.
Extensas tournées pela Europa, Estados Unidos, Canadá e Brasil, onde neste último, disfruta de uma posição privilegiada nos meios culturais. As nomeações para os Grammys, do álbum “Portuguesa”, cimentaram um caminho único.
Carminho nasceu ligada ao mundo do fado, os pais eram proprietários de uma casa de fados e a mãe é a fadista Teresa Siqueira. Nasceu Maria do Carmo de Carvalho Rebelo de Andrade e subiu ao palco do Coliseu de Lisboa, com 12 anos de idade. O seu primeiro disco, “Fado”, surgiu aos 25 anos, foi “Disco de Platina” e a revista britânica “Songlines”, considerou-o o melhor disco de 2011.
Três anos depois surgiu “Alma”, um disco que, de novo reuniu os elogios da crítica e do público e lhe abriu as portas do Brasil, onde se torna uma estrela e grava com nomes como Chico Buarque de Holanda, Nana Caymmi ou Milton Nascimento. Em 2014, o álbum “Canto” cimentaria de forma clara, o sucesso então adquirido.
Do Brasil surge então o convite da família de António Carlos Jobim, para gravar um álbum sobre o mítico músico brasileiro. O resultado, tão fantástico quanto intimista, está no álbum “Carminho canta Jobim”, gravado com a orquestra que tinha acompanhado o músico e que conta com duetos com Chico Buarque, Maria Bethânia e Marisa Monte. Em 2018 volta ao fado, com “Maria”, um disco no qual assume a autoria da maioria dos temas, entre os quais se conta “Estrela” o tema cantado para o Papa, conforme acima referido.
Seguiu-se “Portuguesa”, álbum que confirma uma maturidade e um talento apresentado pelo mundo e que levou ao ponto pelo qual iniciei este texto.
Com um charme discreto e elegante e com um talento inquestionável, o caminho ascendente de uma estrela maior… continua.

Novembro 27, 2025 . 13:31

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