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María Corina Machado diz ter temido pela vida na fuga da Venezuela

Na noite de terça-feira, Corina Machado iniciou a travessia do Mar das Caraíbas num pequeno barco que perdeu o sinalizador GPS durante o percurso

A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, laureada com o Prémio Nobel da Paz de 2025, admitiu ter temido pela própria vida durante a fuga clandestina da Venezuela para a Noruega.

“Houve momentos em que senti que a minha vida corria um risco real”, disse Corina Machado, recusando detalhar as circunstâncias da viagem até Oslo - onde já não chegou a tempo da entrega do prémio, que acabou por ser recebido pela filha - para não comprometer quem a ajudou.

“Foi também um momento muito espiritual porque, no final, simplesmente senti que estava nas mãos de Deus”, acrescentou Corina Machado.

De acordo com a publicação norte-americana Wall Street Journal, Machado deixou os arredores de Caracas na manhã de segunda-feira, disfarçada e usando uma peruca, atravessando 10 postos de controlo militar para chegar a uma vila piscatória na costa.

Na noite de terça-feira, Corina Machado iniciou a travessia do Mar das Caraíbas num pequeno barco de pesca que, segundo o jornal, perdeu o sinalizador GPS durante o percurso.

Já em mar aberto, transferiu-se para outra embarcação para conseguir chegar a Curaçau sem ser detetada.

Fontes citadas pelo jornal asseguram que militares dos Estados Unidos foram informados da travessia para evitar que a embarcação fosse confundida com um alvo militar e atingida pelos recentes bombardeamentos norte-americanos no âmbito da campanha contra o narcotráfico.

“Recebemos apoio do Governo dos Estados Unidos para chegar aqui”, confirmou Corina Machado, depois de ter desembarcado em Curaçau e seguido num avião privado com destino à Noruega, via EUA.

A líder da oposição chegou a Oslo na noite de quarta-feira, tarde demais para assistir à cerimónia de entrega dos Nobel, trazendo apenas a roupa do corpo.

“Nem tive tempo para tomar banho”, disse Corina Machado à estação televisiva britânica BBC.

A opositora agradeceu publicamente “a todos os homens e mulheres que arriscaram a vida” para tornar possível a saída clandestina da Venezuela.

Dezembro 12, 2025 . 18:00

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