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Há espaços culturais que “envergonham a Marinha Grande”

Vereador com o pelouro da Cultura identificou problemas em espaços culturais da cidade, antecipando a necessidade de avultados investimentos nos próximos anos. Veja o vídeo.

“Temos edifícios culturais com graves problemas físicos que têm de ser intervencionados com muita urgência”. O alerta partiu do vereador da Cultura do município da Marinha Grande, que ontem se mostrou preocupado pelas condições que atualmente oferecem vários espaços culturais do concelho, como o Museu do Vidro, o Museu Joaquim Correia, o Teatro Stephens, a Casa-Museu Afonso Lopes Vieira ou o Núcleo de Arte Contemporânea.
Na apresentação da agenda cultural do Teatro Stephens para o primeiro quadriénio de 2026, Sérgio Silva identificou problemas em espaços culturais da responsabilidade do município, antecipando a necessidade de investimentos de milhares de euros nos próximos anos.
Questionado sobre que visão tem o executivo para os próximos anos na área da Cultura, Sérgio Silva aproveitou também para falar no património do concelho, considerando que atualmente existem espaços culturais que “envergonham a Marinha Grande”.
Eleito pela CDU, o vereador integra o executivo liderado pelo PS, que conquistou a câmara a um movimento independente nas últimas autárquicas. Partindo do edifício onde decorreu a apresentação da agenda, o Teatro Stephens, Sérgio Silva começou por considerar que aquele é um espaço cultural “com imensos problemas”, incluindo a falta de espaço”.
Já o Museu do vidro, que ocupa o mesmo palacete, “parou no tempo” e “mete água, literalmente”.
O museu “devia ter tido obras de conservação há muito” e “há problemas estruturais que não deviam acontecer”, mas o projeto “é deficiente deste início”, alertou.
“O que temos é, sobretudo, uma galeria de exposição, mas queremos fazer um museu. Queremos torná-lo um projeto em condições, mas vai demorar anos, tem de ser passo a passo, peça a peça”.
Entre as propostas que estão a ser equacionadas para criar “um museu que tenha relevância na Europa”, Sérgio Silva admitiu o alargamento às atuais instalações ocupadas pela biblioteca municipal e pela Escola Profissional e Artística da Marinha Grande.
“Vamos dedicar-nos muito ao Museu do Vidro. Vai envolver milhões de euros, é uma coisa para muitos anos, mais do que um ou dois executivos, mas o vidro, nas suas múltiplas dimensões e o museu vai ser o epicentro desse projeto - vai consumir-nos muitos recursos”, antecipou Sérgio Silva.
De acordo com Sérgio Silva, o espaço onde está o espólio do museu “está em péssimas condições” e também no Núcleo de Arte Contemporânea entra chuva.
No seu entender, também a Casa-Afonso Lopes Vieira, em São Pedro de Moel, “precisa de reabilitação urgente”, enquanto para o Museu Joaquim Correia a intenção é reformular o conceito, orientando-o para a escultura, “além do artista”.
Ainda sobre o Teatro Stephens, um espaço histórico, “um dos primeiros em Portugal onde houve teatro para o povo e pelo povo, pela mão de Guilherme Stephens”, o autarca admitiu várias limitações, ponderando-se a construção de outro teatro.
“A Marinha Grande tem de pensar nisso. Temos de arranjar soluções”, nomeadamente para ter “um palco dimensionado para permitir outro tipo de espetáculos”. “Vamos ter que ter bons arquitetos e engenheiros a trabalhar connosco”, salientou.
Para as intervenções em análise, o vereador admite que haja necessidade de “ter menos recursos para fazer alguma animação cultural”, pois é “prioritário preservar”.
“Durante muitos anos descuraram-se muitos projetos e descurou-se a conservação e o restauro. Vamos agora começar a inverter isto. Mas temos um longo trabalho pela frente. A Marinha Grande é o território mais rico do distrito e tem de pensar grande, à medida daquilo que é”, acrescentou.
Samuel Úria, a artista leiriense INÊS APENAS e Milhanas são alguns dos artistas que irão passar pelo palco do Teatro Stephens entre janeiro e abril do próximo ano, mantendo a aposta numa programação cultural com e para todos.
A programação cultural volta a levar ao concelho projetos de referência nacional em várias áreas artísticas, reforçando a sua presença junto das instituições e das escolas.

Dezembro 19, 2025 . 13:00

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