
ESECS em projeto para reduzir disparidade de género na ciência
A Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS) de Leiria integra um projeto para reduzir a disparidade de género nos cursos de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM, na sigla inglesa) em dois países da África Subsariana.
Do projeto, denominado ‘ELEVATE-WISE’ (Empoderando Mulheres por meio da Educação STEM Inclusiva), que quer incentivar a participação das mulheres naquelas áreas, fazem parte, além da escola do Politécnico de Leiria, a Universidade de Burgos (coordenadora), as universidades Felix Houphouet Boigny e Alassane Ouattara (Costa de Marfim), e a Universidade Pública e a Sociedade para o Ensino, Ciência e Cultura (Cabo Verde).
À agência Lusa, Dina Tavares, docente da escola portuguesa, afirmou que “a desigualdade de género é uma realidade, principalmente neste contexto das áreas STEM”, referindo que “África acompanha esta tendência” e, no caso específico de alguns países, “esta desigualdade até é um bocadinho mais intensificada”.
Dina Tavares considerou que o projeto poderá ser um contributo para que mais raparigas se interessem em “desenvolver o seu percurso a nível do ensino superior em cursos nestas áreas”, assim como depois escolher carreiras neste âmbito.
O ‘ELEVATE-WISE’ trabalha em três frentes - mentoria, capacitação e sensibilização – e, na prática, quer “criar redes de apoio concretas para raparigas e mulheres que estudam ou querem estudar nas áreas STEM”. O trabalho passa por “preparar um programa de mentoria que liga estudantes a profissionais e docentes destas áreas”, enquanto se desenvolvem “cursos e recursos pedagógicos para quem trabalha com estas estudantes”, para que tenham ferramentas, por exemplo, para combater estereótipos ou criar ambientes de aprendizagem mais inclusivos.
O projeto atua também “ao nível da sensibilização das comunidades educativas e da sociedade, ajudando a desconstruir ideias feitas sobre ‘profissões de homens e de mulheres’ e a valorizar o talento feminino nas áreas científicas e tecnológicas”, declarou Dina Tavares.
Através desta abordagem, o objetivo “é reduzir a disparidade de género no acesso e sucesso nas carreiras STEM e, a médio prazo, contribuir para aumentar o número de estudantes universitárias e reduzir o abandono nestes cursos”.
O projeto arrancou em novembro de 2024 e, entre outras ações, foi feita a recolha de dados nas universidades parceiras dos dois países africanos.
“Com esta informação, começaram também a ser desenhadas as primeiras linhas dos programas de mentoria, dos cursos ‘online’ e de um futuro ‘hub’ formativo digital”, exemplificou.
As próximas etapas passam pelo lançamento do primeiro curso em formato MOOC (‘massive open online course’), dirigido a mentoras e docentes”, que vai dar “formação acessível, baseada em boas práticas internacionais, sobre formas de tornar o ensino mais inclusivo” nas áreas STEM.
“Em simultâneo, o ‘HUB ELEVATE-WISE’ começará a ganhar forma como um espaço digital agregador de conteúdos, metodologias e materiais formativos, pensado para ser usado tanto em contexto académico como comunitário”, disponibilizando recursos em diferentes idiomas, acrescentou.
Depois, o projeto avança para a experimentação de programas de mentoria e de aprendizagem-serviço nas universidades parceiras.
Dina Tavares disse esperar que “este projeto deixe um legado sustentável” e que haja “uma capacitação das instituições e da comunidade” para lhe dar continuidade, e que possa “promover a continuidade de participação e sucesso das mulheres nas áreas de STEM”.
‘ELEVATE-WISE’ termina em outubro de 2027 e tem um orçamento de quase meio milhão de euros no âmbito do programa Erasmus.
A investigadora acrescentou que, no final do projeto, gostaria que o público-alvo “possa ter desenvolvido competências a nível do STEM e que, por exemplo, para as raparigas que estão no ensino superior, não tenham abandonado esses cursos”.
“A taxa de abandono e de desistência é grande. E, de alguma forma, se conseguirmos que mais raparigas cheguem ao fim com sucesso e sensibilizadas para trabalhar estas dimensões e acreditarem que são capazes de fazer a diferença no seu país, fantástico”, disse a docente.








