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O ministro Fernando Alexandre

Dezembro 23, 2025 . 17:00
Opinião de Henrique Neto: "O maior problema com o actual modelo de educação é que as crianças das famílias pobres não têm livros em casa, nunca foram a um teatro, foram criados na rua e a ver televisão"

Pelas minhas contas o ministro da Educação Fernando Alexandre é um bom ministro, algo que não abunda no actual governo da AD. Ouço-o sempre que posso e o seu discurso é claramente sincero e não poucas vezes pedagógico para quem o ouve, todavia não escapa ao habitual coro de críticas das oposições que, desgraçadamente, raramente contribuem para um debate são e inteligente dos muitos problemas da educação.
Fernando Alexandre é também politicamente um pouco inocente pelo que disse sobre as instalações dos pobres ter menos manutenção do que as instalações dos ricos, o que sendo verdade não pode ser dito aos ouvidos sensíveis dos políticos e jornalistas da esquerda e da direita portuguesa, sempre prontos para a chicana e para tudo o que possa constituir um ganho partidário. Ouvidos demasiado estúpidos para reconhecer a qualidade das pessoas, ou das políticas, quando as veem.
Como é evidente as crianças pobres têm menos educação e menos qualidade de vida, os seus locais de existência são menos cuidados e não têm as aprendizagens dos mais afortunados e os seus hábitos são, muito naturalmente, menos sofisticados. Razão por que, por exemplo, os bairros sociais para os mais pobres têm menos manutenção e se degradam, também porque a indisciplina do Estado deixa que as rendas sociais não sejam pagas e as casas acabem abandonadas. Não faltam exemplos da má gestão e da indisciplina do Estado.
É por isso que ando há anos a defender um novo modelo de educação, com a prioridade absoluta a ser dada às creches e ao pré-escolar, com instalações de elevada qualidade e bem mantidas, boa alimentação e transporte para as crianças, além de educadores licenciados, de tal forma que as crianças habituadas a viver na escola como os ricos, quando chegarem a adultos não queiram ser pobres. Porque aquilo que o Estado faz é ajudar os pobres a serem pobres.
O maior problema com o actual modelo de educação é que as crianças das famílias pobres não têm livros em casa, nunca foram a um teatro, foram criados na rua e a ver televisão. Assim, quando chegam aos sete anos ao ensino oficial e são confrontados com os outros miúdos das classes sociais mais favorecidas e com outras experiências culturais, acontece que na maioria dos casos ficam marginalizados para toda a vida. Por isso, a resposta para a pobreza em Portugal não está no ensino superior, onde existe a maioria do financiamento dos governos, mas no pré-escolar, mas aí faltam instalações, faltam educadores e falta a qualidade do meio social para fazer a diferença.
Tudo isto é desconhecido da partidarite aguda que existe entre nós, não é um problema para políticos licenciados na sua luta por melhores empregos no Estado, de ministros e de gestores de aviário, da corrupção e dos interesses individuais e de grupo. Tudo possível por força da falsa democracia em que vivemos, em que os partidos controlam o Estado e através dos Estado controlam e decidem tudo e evitam escolher os melhores para o serviço público, porque a sua concorrência não é bem-vinda. É o que fazem todos os partidos, aproveitam a ausência de uma verdadeira democracia em que os cidadãos tenham o poder de escolher os seus representes. Porque entre nós são os chefes partidários que escolhem os deputados, os autarcas, os dirigentes das empresas públicas e mesmo de algumas privadas e através de subsídios mandam em tudo o que dependa, directa ou indirectamente, do Estado.
Não sei por quanto tempo mais resistirá o ministro Fernando Alexandre ao efeito combinado da chicana política e de uma plêiade de comentadores televisivos fazedores de notícias, mas sei que o País caminha apressadamente para mais pobreza e para a irrelevância internacional.

Dezembro 23, 2025 . 17:00

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