
Carlos Leite viveu o sonho no MasterChef Portugal
Do Bombarral para a cozinha mais mediática do país. Aos 43 anos, Carlos Leite decidiu finalmente seguir o conselho da família e candidatar-se ao programa de televisão MasterChef Portugal, um passo que vinha a ser adiado há muito tempo.
Habituado a cozinhar longe dos holofotes, entre convívios de amigos e refeições em família, Carlos Leite enfrentou um dos maiores desafios do seu percurso na cozinha. Em apenas 35 minutos teve de provar técnica, criatividade e sangue-frio, num ritmo bem mais exigente do que aquele a que estava habituado.
“Consegui ficar descontraído. Eu tenho essa vantagem, quando estou a cozinhar esqueço-me do que está à volta e fico bastante concentrado”, contou ao nosso jornal, recordando que essa capacidade o ajudou a manter a calma.
Na prova decisiva, transmitida na RTP1, decidiu arriscar na confeção de um prato clássico da cozinha italiana – um risoto de camarão - que viria a marcar a sua passagem pelo programa. Apesar de os chefs terem apreciado o sabor do prato, faltou-lhe um elemento essencial: o queijo, ingrediente-chave para garantir a “cremosidade”. “Estava muito bom, mas ainda não era um risoto”, admitiu.
A qualidade apresentada no prato valeu-lhe o avental cinzento, ficando com a possibilidade de mais tarde ser ‘repescado’ e entrar oficialmente na competição, o que não aconteceu. “Ainda tinha esperança de passar, mas só sobrou um avental e foi escolhido por outro candidato”, lembrou.
O regresso a casa foi vivido com alguma “frustração” e tristeza por sentir que poderia ter alcançado um resultado diferente, mas mesmo sem ter avançado no programa, não tem dúvidas que “a experiência foi muito enriquecedora”.
O ambiente competitivo, a convivência com outros candidatos e a visibilidade do programa trouxeram-lhe também novas perspetivas sobre a área.
Atualmente motorista da Rodoviária do Oeste, Carlos Leite não esconde que gostava de fazer da cozinha a sua profissão.
“Achei sempre que me faltava esta experiência e ter um maior conhecimento na área para poder abrir o meu negócio”, sublinhou, assumindo a vontade de voltar a candidatar-se ao MasterChef Portugal.
Carlos Leite cresceu a ver a mãe cozinhar e aprendeu observando-a. Mais tarde, com a companheira, explorando novas receitas. Aprofundou ainda o gosto pela culinária durante o tempo em que foi militar da Força Aérea. A curiosidade fez o resto.
Muito ligado à gastronomia portuguesa, francesinhas, bifanas e pratos tradicionais como o polvo à lagareiro, bacalhau à brás ou arroz de cabidela fazem parte do seu cardápio habitual. Mesmo tendo tido uma participação curta na competição, acredita que a experiência lhe poderá abrir portas. “Gosto muito daquilo que faço, mas a cozinha completa-me imenso. Espero que um dia consiga ter o meu próprio negócio de restauração e que numa próxima oportunidade consiga entrar no MasterChef”, realçou.
Cristiana Bernardino








