
Suspenso estudo para construção de emissário submarino no rio Lis
O estudo de um emissário submarino para levar efluentes da estação de tratamento de águas residuais do Coimbrão, em Leiria, ao mar, foi suspenso pela Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL), a pedido da Câmara Municipal da Marinha Grande.
“A CIM suspendeu [o estudo] a pedido da Câmara Municipal da Marinha Grande. Estamos a aguardar que nos informe sobre a importância para a Câmara de avançar para o estudo e, portanto, logo que a Câmara nos diga que sim, que vale a pena fazer o estudo, com certeza que nós iremos avançar”, anunciou ontem o presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL).
Segundo Jorge Vala, se o município da Marinha Grande “disser que não tem interesse, de maneira nenhuma, que o emissário seja eventualmente a solução, não faz sentido a CIM estar a fazer um investimento que ultrapassa os 60 mil euros”, o valor do estudo.
A Comunidade Intermunicipal “não interfere na gestão de cada um dos seus associados”, acrescentou o autarca, também presidente da Câmara de Porto de Mós.
Jorge Vala falava aos jornalistas após mais uma reunião da comissão de acompanhamento criada para avaliar a avaria, em agosto de 2025, na estação elevatória de Monte Real, que decorreu na estação de tratamento de águas residuais (ETAR) do Coimbrão.
Contactado pelo nosso jornal, o presidente do município da Marinha Grande, Paulo Vicente, confirmou que a autarquia levantou “algumas preocupações relativamente ao emissário”, alertando sobre a necessidade de o projeto “ter em atenção as condições em que aquilo vai ser construído”.
“Nós temos que salvaguardar, porque o emissário vai ser feito no nosso território e temos que ter em atenção os efluentes que vão ser postos no emissário. Não é varrer para debaixo do tapete”, sublinhou. O autarca disse ainda que o município é favorável à elaboração do estudo e à concretização do próprio emissário, desde que estejam acauteladas “todas as situações” para que não sejam lançados ao mar “efluentes mal tratados”. No entender de Paulo Vicente, se [o emissário] “funcionar mal” são as praias do concelho que vão sofrer.
“A CIMRL é que deliberou suspender o avanço do procedimento para a aquisição desse estudo e o que ficou decidido é aguardar que a Câmara da Marinha Grande se pronuncie”, explicou.
Recorde-se que em 19 de agosto, no final da primeira reunião da comissão de acompanhamento, o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, Pimenta Machado, disse que a criação de um emissário submarino pode ser a solução para os efluentes tratados não terem como destino o rio Lis.
No mês seguinte, Jorge Vala, à data vice-presidente da CIM, disse que a construção de um emissário para salvaguardar o rio Lis pode custar entre 15 e 20 milhões de euros e que a CIM lançou o procedimento para o estudo do emissário para levar os efluentes desde a ETAR do Coimbrão até ao mar, num total de seis quilómetros.
Estas posições surgiram na sequência de uma avaria naquela estação elevatória, gerida pela AdCL, em 12 de agosto de 2025, e que obrigou à descarga de milhares de metros cúbicos de efluentes não tratados para o rio Lis, que desagua na Praia da Vieira, concelho da Marinha Grande, e em valas de rega.








