
PSD critica ausência de estratégia cultural “consistente” da Câmara de Leiria
A vereadora do PSD na Câmara de Leiria, Sofia Carreira, criticou a “perda de visitantes” registada nos museus do concelho em 2025, considerando “superficial” a forma como o assunto foi tratado publicamente, “sem qualquer explicação séria sobre as causas desta quebra”. Em causa, estão os números divulgados pelo município, que revelam uma diminuição do número de visitas na maioria dos equipamentos culturais, em comparação com o ano de 2024.
Na perspetiva da vereadora, a “perda de públicos é consequência direta da ausência de uma estratégia cultural consistente”, tratando-se de um “problema político” e de um “desinvestimento” na área da Cultura. “Este executivo insiste em confundir animação sociocultural com política cultural. Eventos pontuais não substituem projetos estruturados, nem constroem públicos. O resultado dessa incoerência está à vista”, criticou.
A par daquilo que classificou como uma “crise de estratégia”, Sofia Carreira apontou ainda uma “crise na gestão de recursos humanos” nos museus municipais, com técnicos a desempenhar funções de técnico superior e a “receber como assistentes técnicos”. No que respeita à formação, considerou que esta “é praticamente inexistente” e continua a ser encarada “como um custo”.
Em resposta, o presidente do município, Gonçalo Lopes, recordou o contexto financeiro herdado pelo executivo em 2009, com uma dívida de 108 milhões de euros associada à construção do estádio municipal. “Muitas das obras que hoje se reclamam por estarem atrasadas poderiam ter sido mais rápidas se tivéssemos essa possibilidade de capital”, afirmou.
Gonçalo Lopes exemplificou com a situação encontrada na área da Cultura, referindo que o Mimo (Museu da Imagem em Movimento) “não estava aberto” e que o Museu de Leiria “andava a saltitar de sítio para sítio”, salientando que o executivo socialista conseguiu recuperar património edificado que estava ao abandono. “Basta perguntar aos leirienses o que era Leiria em termos culturais agora e o que era no tempo em que o PSD governava”.
Sobre as críticas à gestão de recursos humanos, Gonçalo Lopes explicou que a reclassificação direta de assistentes operacionais ou técnicos para técnicos superiores poderia criar “situações de injustiça relativa”, por se tratar de uma realidade transversal a toda a Câmara.
O autarca adiantou que o executivo tem optado pela abertura regular de concursos para técnicos superiores, permitindo a progressão na carreira “por mérito”.
Também a vereadora da Cultura, Anabela Graça, rejeitou a existência de falta de estratégia cultural. “Claro que há estratégia, e é por isso que temos o sucesso na área da Cultura que outras cidades gostariam de ter”, afirmou, garantindo que “não há desinvestimento”, como demonstra o orçamento municipal.
A responsável explicou que o município dispõe de uma estratégia cultural de longo prazo, até 2030, que continua a ser o documento orientador da política cultural e da rede de museus, com objetivos definidos e seis eixos estratégicos.
Quanto à quebra de visitantes, Anabela Graça justificou-a com o facto de 2024 ter sido um “ano excecional”. “Traduziu-se agora num ajustamento relativamente ao ano anterior”.
A vereadora apontou ainda o impacto do ano de eleições autárquicas, período em que a comunicação institucional é limitada. “A comunicação foi restrita. Os períodos em que houve mais visitantes coincidiram com aqueles em que não pudemos fazer tanta divulgação”, acrescentou.
Anabela Graça garantiu também que “não há nenhum tipo de formação que seja negada” aos técnicos, defendendo que “não é por falta de programação, exposições, estratégia ou formação que se pode justificar a variação dos números”. “Na cultura, os resultados não se veem logo”, concluiu a vereadora.








