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Coreógrafa Olga Roriz leva ‘O Salvado’ a Leiria e Caldas

Olga Roriz leva a Leiria e às Caldas da Rainha o solo ‘O Salvado’, um autorretrato íntimo que assinala 50 anos de carreira

A coreógrafa e bailarina Olga Roriz leva a Leiria e a Caldas da Rainha o seu mais recente solo, ‘O Salvado’, estreado no verão assado, no âmbito dos 50 anos de carreira.
Doze anos passados desde ‘A Sagração da Primavera’, Olga Roriz regressa ao solo, aquele que considera o território mais exigente e pessoal da sua carreira, com um “autorretrato completo”, como assinalou em entrevista à agência Lusa antes da estreia, em julho, no Porto.
Após a estreia, ‘O Salvado’ partiu em digressão por várias cidades portuguesas, retomando em 2026 com apresentações em Loulé, Almada, Guimarães, Figueira da Foz, Leiria, Tavira, Caldas da Rainha e Santa Maria da Feira.
Em Leiria, a peça sobe ao palco do Teatro José Lúcio da Silva no dia 29 de abril. Nas Caldas da Rainha, está agendada para 19 de setembro, no Centro Cultural.
Segundo Olga Roriz, a peça leva aos palcos a força da palavra e do corpo, além de tudo o que a coreógrafa “salvou”, depois de ‘limpar’ parte do que deixou para trás, nas sete décadas de vida, três delas em trabalho permanente na companhia em nome próprio.
“Os solos têm acontecido assim, quase de dez em dez anos. É como se tivesse sempre latente dentro de mim essa possibilidade, e eu sinto quando é o momento certo”, descreveu, na altura, a coreógrafa sobre a mais recente coreografia.
Na peça, classificada pela artista como a mais íntima criada até agora, Olga Roriz abriu-se a novos desafios, entre eles aproximar a comunicação com o público, memorizar textos, mostrar o seu corpo e aprender a tocar guitarra elétrica.
“É algo que eu construí que as pessoas nunca viram”, resumiu a artista, apontando que “o público não vai estar à espera de tanta proximidade num solo”, devido à grande presença de textos da sua autoria, e acredita que será “muito interessante” essa surpresa, disse à Lusa em junho a coreógrafa nascida em Viana Castelo.
Doze anos depois do solo que criou para ‘A Sagração da Primavera’, Olga Roriz continua a sentir a necessidade de se renovar, ignorar tabus, recriar algo novo, experimentar a forma como o corpo se apresenta em palco, explorar as várias linguagens artísticas.
Na música, desta vez totalmente da sua escolha, concretiza o sonho de tocar guitarra elétrica: “Nos 20 minutos da entrada de público [na sala] eu estou a tocar uma composição do Vitor Rua que ele chamou 'Salvado Suite'. Eu nunca tinha pegado numa guitarra. Foi uma trabalheira aprender a tocar”.
A coreógrafa fez seis residências artísticas em 2024, nomeadamente em Aveiro, Lagos, São Miguel, Ourém, Lisboa e Londres, onde concebeu o seu trabalho não só coreográfico, mas também a seleção musical e os textos.
Se na coreografia “Electra” (2010), Olga Roriz chegou a dançar de tronco nu, em “O Salvado” decidiu ir mais longe na exposição física e despe-se totalmente, num momento “fugaz”. Em 1995 criou a Companhia Olga Roriz, que dirige, em Lisboa.

Janeiro 22, 2026 . 15:00

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