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As causas do sucesso do Chega

Janeiro 26, 2026 . 17:30
Opinião: “Uma outra oportunidade que o Chega aproveita para se afirmar junto de alguns sectores da sociedade, reside na pouca consequência do debate partidário. Na realidade, todos os partidos usam e abusam de ataques ideológicos e de níveis elevados de chicana política, à custa da análise fria e racional dos temas em debate, o que origina um ambiente permissivo em que o Chega se encontra como o peixe na água”.

Não há dúvida de que o Chega é um caso de sucesso no panorama político nacional e europeu, que não pode ser menosprezado e que deve ser mais bem compreendido. Desde logo olhando ao contexto social, político e comportamental da sociedade portuguesa, que permanece com largos sectores da população com baixas qualificações escolares e essa será a principal razão para o rápido crescimento do partido Chega, crescimento superior a outros partidos semelhantes da Europa. Mas há outras razões: (1) ser um partido de um homem só, o que permite uma elevada unidade de comando; (2) uma grande capacidade de comunicação, o que granjeou ao Chega uma presença quase permanente nos jornais e, principalmente, nas televisões; (3) o bem elaborado e agressivo discurso de protesto, muito facilitado pelo fraco crescimento da economia, os baixos salários, os muitos erros dos governos e dos partidos políticos; (4) o discurso de vitimização, muito facilitado pela agressividade, de sentido contrário, dos partidos da esquerda e da extrema esquerda.
Apesar de estar presente no debate político nacional o tema da imigração, que representa nos outros partidos da extrema-direita europeia a principal razão de crescimento, não terá em Portugal o mesmo significado. Em contrapartida, o tema da autoridade num País indisciplinado por natureza, com um elevado nível de desorganização do Estado e alguma criminalidade, não surpreende que muitos eleitores, nomeadamente das classes sociais menos favorecidas, sejam atraídos por esse tipo de discurso.
Uma outra oportunidade que o Chega aproveita para se afirmar junto de alguns sectores da sociedade, reside na pouca consequência do debate partidário. Na realidade, todos os partidos usam e abusam de ataques ideológicos e de níveis elevados de chicana política, à custa da análise fria e racional dos temas em debate, o que origina um ambiente permissivo em que o Chega se encontra como o peixe na água. A Assembleia da República é disso um exemplo, o que tem permitido ao Chega a utilização do Parlamento como uma oportunidade de fazer propaganda e de atacar as instituições democráticas. A fuga à verdade objectiva, a que alguns chamam mentir com maior ou menor descaramento e que todos os partidos utilizam em maior ou menor grau, ajuda a relativizar as mentiras do Chega.
Finalmente, o facto dos partidos políticos portugueses terem há muito colocado de lado os seus gabinetes de estudo e a análise criteriosa de muitos dos temas em debate, abriu o caminho para que a ignorância de muitos dirigentes e deputados do Chega esteja bem acompanhada no Parlamento. Acresce, que a corrupção e o carreirismo fazem parte do currículo da generalidade dos partidos nacionais e sendo a carreira do Chega neste domínio mais curta, permite-lhe usar o tema da corrupção com algum sucesso junto de uma parte do eleitorado.
Estas são algumas das razões por que ando há anos a escrever sobre a prioridade educativa, com melhor financiamento, com melhores instalações, melhores educadores, melhor alimentação e transporte, prioridade a ser dirigida principalmente para as creches e para o pré-escolar, como a melhor forma de desenvolver na sociedade portuguesa os bons comportamentos, a ética e o respeito democrático pelos outros. O que pode e deve ser facilmente medido através da análise das diferenças de formação e de comportamento entre as crianças de diferentes classes sociais na entrada do ensino obrigatório aos sete anos.
Na recente eleição para a Presidência da República, os dados recolhidos indicam um nível inferior de escolaridade entre os eleitores do Chega, presumo que ninguém ficará surpreendido.
Notas: O recente discurso do primeiro-ministro do Canadá em Davos foi uma pedrada no charco do debate sobre o mundo de hoje e os perigos resultantes de Donald Trump como presidente da grande nação americana e uma orientação para os dirigentes da União Europeia.

Janeiro 26, 2026 . 17:30

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