
Em Parceiros e Azoia há sete equipas a bater porta a porta para ajudar quem precisa
Sete equipas estão no terreno, a percorrer porta a porta as localidades da União de Freguesias de Parceiros e Azoia, para identificar necessidades e prestar apoio direto às populações mais afetadas pela depressão Kristin. O balanço é feito por Elsa Mendes, presidente da junta, que admite que, apesar dos danos significativos, a freguesia “está a voltar à normalidade” cerca de uma semana depois da tempestade.
“Criámos sete equipas para percorrer as localidades, sobretudo na zona mais rural da Azoia, onde as habitações estão mais dispersas. É um trabalho de proximidade, essencial para chegar a quem precisa”, concluiu Elsa Mendes, destacando a “onda de solidariedade” que tem marcado a resposta à depressão Kristin no território.
De acordo com a autarca, cerca de 70% do território já tem o fornecimento de energia elétrica restabelecido, embora ainda existissem na terça-feira ao final do dia algumas zonas sem luz, nomeadamente Alcogulhe, Vale do Horto, Codiceira, Vale Gracioso e Cabeças de Azoia, assim como algumas ruas dos Parceiros. No que respeita ao abastecimento de água, não há registo de falhas.
“A situação nos Parceiros foi muito idêntica à de outros locais. Apelei logo à minha equipa e distribuímo-nos pelas localidades”, explicou Elsa Mendes, sublinhando o papel ativo da população, que colaborou no corte de árvores e na limpeza dos espaços públicos. Em paralelo, a junta avançou rapidamente com a contratação de empresas para responder às necessidades mais urgentes, garantindo, por exemplo, o restabelecimento da internet e a instalação de um gerador na sede da junta logo nos primeiros dias.
A resposta no terreno tem sido articulada com a Câmara Municipal e com a Proteção Civil, com a presidente da junta a promover briefings diários, abertos à população, por volta das 14h00, onde é partilhada informação atualizada. “Temos sido muito comunicativos, sobretudo através das redes sociais da junta, para que toda a gente tenha acesso à informação”, referiu.
Apesar de uma recuperação gradual, Elsa Mendes reconhece que há situações particularmente graves. “Há pessoas muito atingidas, que perderam tudo”, afirmou, apontando o caso de empresários cujas estufas foram completamente destruídas, assim como empresas da zona do Alto do Vieiro. No setor desportivo, os prejuízos são também elevados, com o Grupo Desportivo dos Parceiros a ficar sem pavilhão e o complexo desportivo a ficar severamente danificado.
No setor da educação, o cenário é mais animador. Segundo a autarca, todas as escolas da freguesia ficaram aptas a receber os alunos na quarta-feira, apesar dos danos registados. “As escolas estavam muito danificadas, mas contratei de imediato uma empresa para reparar os telhados, mesmo numa altura em que quase não havia comunicações”, explicou.
A mobilização da comunidade e de voluntários externos tem sido determinante na resposta à crise. No último sábado, cerca de 200 pessoas participaram em ações de limpeza na freguesia, enquanto durante a semana o apoio tem contado com 30 a 40 voluntários por dia. Além de habitantes locais, chegaram apoios de várias zonas do país, como Esposende e Aveiro, incluindo escuteiros de Linda-a-Velha.
Também empresas e instituições têm contribuído com ajuda concreta. Uma empresa de Abrantes disponibilizou arcas congeladoras para conservação de bens alimentares numa zona comunitária instalada no Grupo Desportivo dos Parceiros; a “Escola [Superior de Turismo e Tecnologia do Mar] de Peniche forneceu refeições prontas”; e uma empresa de construção de Vila Real deverá juntar-se aos “trabalhos de reposição de telhados”.








