
Leiria: Adiamento das eleições divide opiniões à boca das urnas
O adiamento das eleições presidenciais - tema que esteve em discussão durante toda a semana que antecedeu o sufrágio de ontem – não foi consensual entre os eleitores ouvidos à boca das urnas pelo Diário de Leiria, com as opiniões a divergirem.
Na Escola Básica José Mattoso, em Marrazes, e no Liceu Francisco Rodrigues Lobo, em Leiria, as opiniões dividiram-se sobre a possibilidade das eleições poderem ser adiadas devido ao estado de calamidade que atingiu a região, com argumentações para todos os gostos.
Para Abel Passos, o adiamento das eleições “era mais do que obrigatório”. “Há muitas pessoas que não têm condições de irem votar e não está toda a gente em igualdade de circunstâncias. É lamentável não se pensar em toda a gente”, disse, acrescentando que nas regiões atingidas pelas intempéries “quase não se falou nada, não se tinha acesso à televisão, não se tinha acesso a praticamente nada. A gente vai votar por aquilo que sabe antes, de resto, seja o que Deus quiser”, rematou.
Em sentido contrário, Ana Henrique acredita que o governo tomou a decisão correta de manter a data das eleições. “Isto aqui [estado de calamidade] é muito restrito, é sobretudo na região centro e foram tomadas as medidas, as precauções e a deslocação de pessoas para sítios onde, em segurança, as pessoas pudessem fazer usufruto do voto que eu acho que é muito importante, cada vez mais”, vincou.
Já Aníbal Filipe acredita que se fosse ele a mandar as eleições seriam adiadas. “Eu acho que se devia mudar [a data das eleições], mas pelos vistos não podem, não é permitido, acrescentando que nestas últimas três semanas não acompanhou a campanha presidencial e que o seu voto foi “para derrotar o outro”. “Nenhum [candidato] tem o perfil que eu gostava”, confessou.
Eleições adiadas na Bidoeira
Em resultado dos danos causados pela tempestade Kristin, foi decidido o adiamento do ato eleitoral na freguesia da Bidoeira de Cima para o dia 15 de fevereiro. Segundo o município de Leiria, após pedido da Junta de Freguesia, foi efetuada uma avaliação ao edifício destinado à realização do ato eleitoral, tendo-se concluído que não reunia as condições necessárias de segurança e funcionamento, o que inviabiliza a normal realização da votação na data inicialmente prevista. Uma decisão que apanhou algumas pessoas de surpresa e dividiu opiniões.
“Neste momento não existe local para fazer as mesas de voto, em toda a freguesia está tudo uma desgraça”, começou por dizer Constantino Sousa à equipa de reportagem do Diário de Leiria, acrescentando que no ato eleitoral do próximo domingo não irá falta: “Para a semana vou votar, nunca falhei nenhuma. Para mim devia ser obrigatório toda a gente votar”, garantiu.
Quem também concorda a decisão de se adiar as eleições é Filipe Costa, para quem neste momento a prioridade são as casas. “As eleições que não forem hoje são para a semana: uma freguesia não vai influenciar a votação final. (…) Em todas as freguesias afetadas ninguém havia de votar para dar uma chapada de luva branca àqueles senhores que estão lá no governo. Que venham ao terreno ver o que aqui se passa”, desafiou.
Opinião contrária tem Jorge Crespo. Para o ex-presidente da Junta de Freguesia da Bidoeira de Cima havia alternativas para receber as mesas de voto. “Pela primeira vez na minha vida eu não vou votar porque espero que o resultado fique resolvido hoje e recuso-me a ir a uma votação que não vale rigorosamente nada. Acho que a Bidoeira tinha forçosamente que ter arranjado soluções para que as eleições se concretizassem hoje na Bidoeira”, vincou.








