
“Não dá para imaginar a força que o vento fez naquela noite”
A freguesia do Coimbrão apresenta um cenário em tudo semelhante ao restante concelho de Leiria. Nas últimas duas semanas, desde a passagem da depressão Kristin pelo território, o água, luz e comunicações ficaram severamente abaladas, mas, aos poucos, algum normal está a regessar.
Apesar de a água já estar reposta em praticamente toda a freguesia, muitos habitantes do Coimbrão estiveram muitos dias sem energia elétrica, apesar de terem sido registados momentos pontuais de reposição de eletricidade, num cenário que expôs a fragilidade das infraestruturas locais face às condições meteorológicas extremas provocadas pela tempestade.
Tiago Santos, presidente da Junta de Freguesia de Coimbrão (JFC), explicou ao nosso jornal que, no sábado, a energia elétrica voltou a falhar devido a um curto-circuito na linha de média tensão. Para acelerar os trabalhos, a junta disponibilizou um madeiro para “andar à frente das equipas”, libertando acessos e cortando árvores que impediam as reparações.
“Andou uma equipa de três funcionários, demoraram cerca de 30 horas”, referiu, acrescentando que as condições meteorológicas dificultaram o trabalho, com vento e chuva intensos. “Eles não conseguiam ir acima dos postes por causa do vento”, disse.
Segundo o autarca, o fornecimento só ficou totalmente reposto no domingo à noite. Apesar das falhas, a distribuidora disponibilizou dois geradores à freguesia: um colocado na zona centro do Coimbrão, que acabou por falhar novamente devido ao mau tempo, e outro junto ao Centro Escolar.
Durante estes dias, a sede da Junta de Freguesia transformou-se num espaço improvisado de ‘coworking’, tornando-se um dos poucos locais da freguesia com energia e acesso à Internet. “As pessoas não tinham luz em casa nem comunicações, então vieram para aqui e conseguiram trabalhar e comunicar”, explicou Tiago Santos.
Relativamente à Praia do Pedrógão, o presidente da junta afirmou que a extensão da praia já tem eletricidade, mas que “grande parte é abastecida por gerador”.
Considerada uma das zonas mais fustigadas da freguesia, registou elevados prejuízos públicos e privados. Tiago Santos relembrou a destruição da estátua que homenageava as peixeiras da região e do barco evocativo da arte xávega que desapareceram sem deixar rasto.
O autarca destacou ainda a subida dos níveis de água na Lagoa da Ervedeira, que atingiu “níveis históricos”. A abertura da época balnear na lagoa está ainda a ser analisada, uma vez que a zona de praia é atualmente “quase inexistente”. Com árvores caídas e danos no parque de merendas, a JFC aguarda o aval do ICNF - Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas para dar início aos trabalhos de recuperação.
“Não dá para imaginar a força que o vento fez naquela noite, foi horrível, sofremos horrores”, recordou Tiago Santos, acrescentando que só nos dias seguintes se começou a perceber a real dimensão dos estragos. “No segundo e terceiro dias começou a chover muito e apareceram pessoas a dizer que lhes estava a chover dentro de casa. Foi dramático, uma situação como nunca tivemos”, recordou.







