
MS Cariano quer reparar avião emblemático e devolvê-lo à cidade
A empresa MS Cariano quer assumir a reparação do avião Beechcraft C-45 Expeditor, um dos ex-libris da cidade de Leiria, que ficou parcialmente destruído na sequência da depressão Kristin. A intenção já foi transmitida à Câmara Municipal de Leiria e ao Museu do Ar, entidade responsável pela aeronave, que pertence ao Estado e está cedida ao município para exposição pública.
Segundo Fábio Cariano, responsável pela empresa, o projeto passa por garantir todo o apoio logístico necessário à recuperação do avião, incluindo a cedência de um espaço adequado para a realização dos trabalhos. “O Museu do Ar vai fazer todo o acompanhamento do avião”, explicou, sublinhando que a intervenção será articulada com aquela entidade.
O primeiro passo, de acordo com as indicações do Museu do Ar, é encontrar um local para onde a aeronave possa ser transferida. Apesar de já ter existido a possibilidade de remover o avião para outro espaço, a empresa optou por aguardar, de forma a evitar danos adicionais na estrutura. “Quanto mais ele for transportado, mais danos pode criar”, referiu Fábio Cariano ao nosso jornal, acrescentando que a movimentação deverá ocorrer apenas quando estiver definido o local onde decorrerá a reparação.
A empresa leiriense está, por isso, à procura de um pavilhão na zona de Leiria que reúna condições para acolher a intervenção, que poderá prolongar-se por um ou dois anos. “Há ali muito trabalho de reparação para fazer”, admitiu. A própria MS Cariano foi afetada pela tempestade, tendo ficado sem telhado nas suas instalações, o que inviabiliza, para já, a utilização do seu espaço.
O projeto deverá contar com o contributo de vários voluntários e especialistas, entre eles pessoas que anteriormente já trabalharam no mesmo avião. “São pessoas, muitas delas ligadas à área e à Base Aérea de Monte Real que querem ajudar”, contou. Além disso, uma empresa ligada à formação de mecânicos de aeronaves ofereceu apoio na reparação de algumas peças. Após ser garantido o espaço, será realizada uma reunião para definir responsabilidades e distribuir tarefas.
Fábio Cariano admitiu que a motivação para avançar com a iniciativa é, em parte, pessoal. Apaixonado por restauro de veículos antigos, motas e carros clássicos, afirma ter também um gosto especial por aviões. No entanto, destaca que o principal objetivo é devolver à cidade um símbolo que marcou gerações. “Sempre vi o avião ali no parque desde pequenino e seria benéfico para os leirienses terem novamente o avião no parque”, afirmou, comparando a sua importância à do castelo. “É uma imagem que não se pode perder na cidade de Leiria. É como o castelo: faz parte da cidade e de todos os leirienses. Não é para oferecer à Câmara nem ao Museu do Ar, é para oferecer à cidade”, resumiu.
Para já, não existe uma estimativa de custos para a recuperação da aeronave, reconhecendo o empresário que o foco está, nesta fase, na criação das condições logísticas necessárias para avançar com o projeto.
O Diário de Leiria contactou a Força Aérea Portuguesa para saber se aquele ramo das Forças Armadas tinha algum projeto para aquela aeronave, mas até ao fecho da edição não obteve resposta às questões colocadas.








