
Infiltrações atingiram 90% das casas no Arrabal
Cerca de 90% das habitações da freguesia do Arrabal foram afetadas por infiltrações de água na sequência da depressão Kristin. O dado é avançado pelo presidente da Junta de Freguesia, Jorge Bernardino, que traça um retrato de danos sobretudo ao nível das coberturas e telhados, embora sublinhe que a situação dos serviços essenciais esteja, nesta fase, praticamente estabilizada.
Houve casos mais graves, como o de “uma casa de madeira arrastada por completo” e “duas ou três casas que ficaram sem telhado”. Muitas outras registaram danos significativos, ainda que de menor dimensão. No entanto, o impacto generalizado fez-se sentir nas infiltrações devido aos telhados danificados e à chuva intensa que caiu.
Também o setor industrial sofreu prejuízos, com várias unidades afetadas pela intempérie. A par disso, registaram- -se quedas de árvores, interrupções de estradas e obstruções da via pública, situações que causaram “maior transtorno” nos dias imediatamente a seguir à tempestade.
Quase três semanas depois, o ponto de situação é de estabilização, ainda que com ocorrências pontuais por resolver. “Água estamos praticamente a 100%. Poderá haver uma ou outra situação pontual”, referiu Jorge Bernardino. No que respeito à eletricidade, o cenário é igualmente positivo: “Estamos com o território praticamente coberto. Já temos eletricidade em todos os lugares da freguesia”. Persistem apenas casos isolados, relacionados com cabos de ligação às habitações que ficaram danificados.
Ao contrário do que aconteceu em muitos pontos do concelho, o restabelecimento da energia foi relativamente célere na maioria das localidades da freguesia. “Dentro de uma semana conseguimos ter cerca de 80% reposto”, afirmou. A exceção foi o lugar de Casal dos Ferreiros, o mais fustigado, onde a reposição demorou mais tempo. “Só na quinta- -feira é que tiveram luz. Esses foram os sacrificados”, admitiu. Mais crítica continua a ser a situação das telecomunicações. “Está uma miséria”, resumiu o presidente da Junta.
No balanço global, Jorge Bernardino reconheceu que o Arrabal acabou por ser das freguesias menos prejudicadas. “Tirando as zonas mais urbanas, fomos das freguesias menos fustigadas em termos de serviços, eletricidade e água, em relação a outras que ainda não o têm”. Ainda assim, admitiu que a freguesia “não está recomposta a 100%”.
Durante o período mais crítico, a Junta concentrou esforços no apoio social e na rápida reposição dos serviços essenciais. “Conseguimos reerguer as nossas escolas e as atividades das crianças e das famílias num tempo excelente. Pusemos escolas praticamente a funcionar em dois, três dias”, destacou. As instituições sociais e lares mantiveram-se em funcionamento, sem interrupções graves.
O apoio do município e de outras entidades foi determinante, assim como o voluntariado. “Apareceram voluntários de todo o país, não só a doar bens, como a ajudar na recuperação de telhados e no corte de árvores”, relatou. Houve também forte mobilização local e das freguesias vizinhas, incluindo a participação dos escuteiros.
Numa mensagem final à população, o autarca agradeceu a colaboração e a compreensão demonstradas. “Depois do primeiro choque e da desilusão ao ver os bens danificados, as pessoas conseguiram resignar-se e estar do nosso lado a apoiar e a compreender que as coisas não se resolvem num dia. Isto não foi nenhuma brincadeira, foi um caso sério”. Para Jorge Bernardino, a principal lição retirada desta catástrofe é clara: “O positivo que se pode tirar é que ficámos a conhecer com quem podemos contar”.







