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“Ou morre-se à fome ou tenta-se a sorte no mar”

Entre o mau tempo prolongado e os prejuízos acumulados, estima-se que cerca de 250 pescadores estejam direta ou indiretamente afetados

Entre o mau tempo prolongado, os constrangimentos e os prejuízos acumulados, o agravamento da instabilidade marítima provocado pela depressão Kristin que atingiu a costa portuguesa, a Nazaré continua a enfrentar fortes ondulações, correntes imprevisíveis e sucessivos períodos de interdição à navegação.

Estima-se que cerca de 250 pessoas estejam direta ou indiretamente afetadas, numa atividade que depende diariamente das condições do oceano.

Pescador “desde garoto”, Joaquim Zarro, pesca sardinha, carapau e cavala e tem uma embarcação própria onde emprega atualmente sete trabalhadores.

Explica que, ao contrário de outras profissões, na pesca não existe salário fixo. “Os meus empregados ganham à percentagem. Se não apanharmos peixe, não ganham, e como não vamos ao mar, garantidamente que não ganham”, explicou ao nosso jornal.

A instabilidade do tempo tem impedido saídas regulares desde dezembro, e mesmo quando o mar aparenta estar mais calmo, o risco mantém- -se. “O mar pode estar mais ou menos, mas segurança acima de tudo. Há mar e mar, há ir e voltar”, sublinhou.

O pescador contou ao nosso jornal que nos últimos dias algumas embarcações arriscaram sair um ou dois dias, mas a irregularidade das condições meteorológicas impede qualquer estabilidade, provocando receio naqueles que passaram uma vida inteira no mar. “Deve-se ter respeito pelo mar, o mar tudo quanto quer, tudo tem”, realçou o pescador de 60 anos.
Para além da paralisação, há ainda os prejuízos nas artes de pesca, como as redes utilizadas na captura de sardinha, carapau ou cavala que sofreram danos, enquanto equipamentos destinados à pesca do polvo, como alcatruzes e armações metálicas permanecem no fundo do mar, podendo estar danificados ou perdidos. “Quando sairmos ao mar vamos encontrar de tudo”, teme.

Joaquim Zarro é também presidente da Associação de Armadores e Pescadores da Nazaré, e estima que na região existirão cerca de 30 a 40 embarcações de pequeno porte, envolvendo 70 a 80 profissionais que neste momento não conseguem ir trabalhar. A estes somam-se tripulações de embarcações maiores, incluindo barcos de arrasto que operam a partir do porto local. No total, o responsável estima que “à vontade” 250 pessoas estejam sem rendimento regular.

“O trabalho existe, eu trabalho todos os dias a preparar as artes. O dinheiro é que não aparece, só o vejo a sair do bolso”, desabafou. Entre seguros, despesas domésticas e filhos a estudar, as obrigações mantêm-se, mesmo quando o mar não permite pescar.

Enquanto o tempo não estabiliza, resta esperar ou arriscar quando possível. “Ou morre-se à fome ou tenta-se a sorte no mar”.

Fevereiro 20, 2026 . 13:30

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