
Castelo de Leiria só deve reabrir as portas no dia da cidade
O Castelo de Leiria só deverá reabrir as portas ao público no dia da cidade, a 22 de maio, na sequência dos danos provocados pelas intempéries naquele monumento nacional.
“Estamos a trabalhar para que no dia do município possamos abrir aquele que é o maior símbolo da cidade. Temos essa meta”, adiantou a vice-presidente da Câmara de Leiria, acrescentando que os estragos no castelo causaram “uma ferida no património histórico e paisagístico da cidade”.
Segundo Anabela Graça, o castelo de Leiria “não corre o risco de ruir”, mas pode haver deslizamento de terras ou uma derrocada na encosta do monumento. “A avaliação estrutural está feita. O castelo não está em risco, mas temos de avaliar o impacto das intempéries porque o castelo sofreu alterações que têm consequências até mesmo ao nível da encosta”, explicou, acrescentando que em causa está “a sustentabilidade do solo que fica exposto à erosão” com a queda de 30 árvores de grande porte situadas dentro do castelo.
Posto isto, a autarca defende uma intervenção “com muito rigor técnico e científico”, estando actualmente a ser realizado um estudo “para apurar as consequências da precipitação e da destruição do manto arbóreo”, pelo que o apoio técnico de uma equipa de especialistas ao nível da intervenção paisagística “é fundamental”.
Recorde-se que cerca de 90% das árvores e arbustos foram destruídos pela depressão Kristin, que também fez cair um troço de muralha do castelo de Leiria. Ainda no edificado, a situação mais sensível é a Casa do Guarda, atingida por uma árvore de grande porte, para além de fissuras e danos em diversas coberturas. Ainda na área cercada do castelo, a Igreja de São Pedro, igualmente Monumento Nacional, sofreu danos consideráveis.
Anabela Graça explicou ainda que uma equipa da Direção-Geral do Património Cultural tem estado a acompanhar o processo, não estando ainda definido o montante de investimento necessário para restituir o castelo à sua antiga glória. Ainda assim, na próxima semana irá realizar-se uma reunião de trabalho “para definir um programa de intervenção”, que deverá estabelecer prioridades, calendarização e fontes de financiamento.
Sobre o atual cenário, a vice-presidente assegura que “o castelo está completamente diferente”. “Respira-se um ar diferente, fica um vazio deixado pela vegetação que já não lá está” e perdeu-se “a harmonia entre a história e a paisagem”, conta Anabela Graça.
Recorde-se que o Castelo de Leiria voltou a ser o espaço mais visitado no concelho em 2025, com 121.371 visitantes, no ano em que a programação evocou os 700 anos da morte do rei D. Dinis, através de visitas guiadas, percursos encenados, concertos e iniciativas científicas.








