Nunca sonhou ser uma estrela, mas é uma constelação… porque o céu lhe fica (mesmo) bem
Para os mais distraídos (impossível estar distraído há meia dúzia de anos, em relação a esta mulher) ela mandou dizer, “Avisem que eu cheguei”. E com ela chegou uma “Tempestade”, um turbilhão de ideias, um turbilhão de Mulheres com M grande (de Aldina Duarte a “A Garota Não”, de Florbela Espanca a Carolina Deslandes, de Sophia de Mello Breyner Andreson a Márcia).
Tudo isto porque “toda a tempestade tem nome de mulher”. E o nome desta “Tempestade” em forma de disco, deste furacão em forma de mulher, em forma de fadista é, obviamente Sara Correia.
O confronto fadista/público com Sara Correia em cima de um palco, é gerador de um turbilhão incontrolável de emoções para qualquer um que tenha o privilégio de assistir. É assim, foi sempre assim.
Ao 4º álbum, Sara Correia confirma o estatuto que já tinha confirmado ao 3º, que, entretanto, já tinha confirmado no 2º….
Não, não há qualquer exagero neste olhar, tão somente o testemunho de uma estreia – em 2018 - com um disco que recebe uma chuva de prémios e a coloca em palcos internacionais de Espanha à India, da Holanda à Coreia do Sul ou da Áustria às Ilhas Reunião.
Dois anos mais tarde, “Do coração”, o segundo álbum, vence a categoria de “Melhor Álbum de Fado” nos Prémio Play e é nomeado para os Grammy Latinos, o que leva Sara a atuar na Gala em Las Vegas.
Sara assumia-se como nome absolutamente incontornável no universo do fado, com Diogo Clemente, como diretor musical, produtor, amigo e com Amália Rodrigues como musa inspiradora e para a (sua) história, ficava lá atrás, a vitória na Grande Noite do fado, aos 13 anos de idade. E também a passagem pelas noites de Lisboa, noites de Fado, nas mais prestigiadas casas.
Para quem não o soubesse, ao 3º álbum, “Liberdade”, gritou (ou melhor, cantou bem alto) “Eu sou de Chelas”, e simultaneamente dizia “Quero é viver”, outro grito intemporal de um génio maior da música portuguesa, António Variações.
Os palcos da Europa, do Mundo recebem-na de braços abertos, assim como os palcos e os artistas portugueses, com os quais vai fazendo parcerias que deixam, obviamente, marcas…
Arrebatador o dueto com Pedro Abrunhosa em “Que o amor te salve nesta noite escura”, que colocou Abrunhosa a seus pés (literalmente) no recente e memorável concerto do Pedro na Meo Arena em Lisboa.
“Avisa que eu cheguei, invadi a cidade/Descalça pela rua, eu pus-me à vontade/Canto bem alto para quem vier/Avisa que eu cheguei, invadi a cidade/Para lhes mostrar porque é que toda a tempestade/Tem nome de mulher”
Não digam que não mandou avisar…





