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Causas e consequências dos incêndios no centro da peça ‘Terra de Fogo’

Companhia Hotel Europa estreia no sábado, em Pombal, a peça de teatro ‘Terra de fogo’

Levar para o palco o impacto das alterações climáticas e dos incêndios em Portugal e no sul da Europa é o objetivo da peça de teatro ‘Terra de fogo’, que a companhia Hotel Europa estreia no sábado, em Pombal.

‘Terra de fogo’ analisa, “de forma crítica, a gestão florestal, as políticas de prevenção e as consequências humanas e ambientais destes fenómenos extremos que, ano após ano, causam impacto nas comunidades”, disse à agência Lusa André Amálio, criador do espetáculo juntamente com Tereza Havlíčková.

Através do cruzamento de testemunhos reais, investigação histórica e reflexão jornalística sobre o que é “um dos problemas mais graves da atualidade”, a peça ‘Terra de fogo’ foi erguida a partir de entrevistas a perto de 80 pessoas, na sequência dos incêndios de verão que devastaram Portugal em 2017, resultaram na morte de 66 pessoas, atingiram 261 habitações e destruíram 53 mil hectares de território.

As entrevistas foram feiras a moradores de Monchique, Loulé, Oliveira do Hospital, Pombal, Coimbra, Pedrógão Grande, Tenerife e Guimarães.

O espetáculo “olha para a situação dos incêndios em Portugal mas também noutros países do sul da Europa e tenta compreender como é que está a ser tratada esta questão da gestão de florestas, da procura de uma floresta mais resiliente; como é que nos estamos a preparar para a crise climática, para verões cada vez mais longos, temperaturas cada vez mais altas e olha, sobretudo, para o caso de uma família que perdeu a casa e perdeu tudo”, disse André Amálio.

Em ‘Terra de Fogo’ é contada a história de uma família de quatro pessoas de Oliveira do Hospital que perdeu todos os bens e que só a recuperou devido à receita de um jogo solidário promovido pela Federação Portuguesa de Futebol que permitiu à família reconstruir a habitação, não coberta pelo seguro, disse à Lusa o cocriador da peça.

A criação resulta de um trabalho de investigação que André Amálio e Tereza Havlíčková realizaram desde 2023 em vários pontos de Portugal, na Madeira, na Sardenha e na República Checa.

Em palco, a peça traduz-se num solo interpretado por André Amálio no qual transmite o processo de investigação e também vai contando as histórias das pessoas, ora com recurso a áudio, ora a vídeo, enquanto em palco vão sendo montadas “pequenas instalações, florestas ou quintas em miniatura, estradas ou carros de bombeiros, tudo o que tenha a ver com a problemática dos incêndios”.

Umas vezes André Amálio reproduz as palavras diretas que vai escutando nos auscultadores das pessoas entrevistadas, sejam moradores ou especialistas nos temas abordados.

O centro da ação acaba por ser a família de Oliveira do Hospital, com a sua história a ser contada ora por ele ora por outros elementos em voz 'off'.

Coproduzida internacionalmente com o Auditório de Tenerife, a peça estreia-se no Cine-Teatro de Pombal, no sábado, sendo depois representada, no dia 27, no Convento São Francisco, em Coimbra.

Em 2 de abril, ‘Terra de Fogo’ subirá ao palco do Teatro Louletano, em Loulé, e nos dias 12, 13 e 14 de junho estará em cena no Auditório de Tenerife, em Santa Cruz de Tenerife, Espanha. Em 24 de junho, chegará ao Teatro Municipal Baltazar Dias, no Funchal.

‘Terra de fogo’ tem movimento de Tereza Havlíčková, criação musical de Pedro Salvador, vídeo de Tiago Moura e cenografia e figurinos de Ana Paula Rocha.

Na assistência de cenografia e figurinos está Madalena Cáceres e na direção técnica e no desenho de luz, Carlos Arroja.

A peça é produzida pelo Hotel Europa, em coprodução com o Auditório de Tenerife, o Convento São Francisco, o Cineteatro Louletano, o Teatro-Cine de Pombal e o Teatro Municipal Baltazar Dias.

Março 6, 2026 . 16:00

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