
Governo prevê atribuir mil euros por hectare para proprietários limparem florestas
O Ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, acompanhado pelo Secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, visitou hoje, os trabalhos de recuperação florestal na freguesia da Guia, no concelho de Pombal.
No terreno estiveram equipas de sapadores florestais do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) a realizar trabalhos de desobstrução de caminhos e remoção de árvores derrubadas. Só ontem, estavam 33 sapadores florestais espalhados pelo concelho, integrados nas operações de limpeza e recuperação das áreas afetadas.
À margem da visita, o ministro da Agricultura e Pescas anunciou um programa de 40 milhões de euros (ME) para os proprietários florestais afetados pela depressão Kristin removeram as árvores caídas e limparem os terrenos.
Segundo explicou, a intervenção devera abranger cerca de 30 mil hectares de área florestal, estando prevista a atribuição de um apoio aos proprietários de cerca de 1000 euros por hectare para apoiar os trabalhos de remoção de madeira e a limpeza dos terrenos.
“Estamos a acelerar ao máximo para recuperar rapidamente estas áreas”, afirmou o governante, acrescentando que está também a ser preparada a constituição de novas OIGP – Operações Integradas de Gestão da Paisagem, que permitirão uma intervenção mais rápida e organizada no território.
José Manuel Fernandes colocou como fasquia limpar até ao final do ano as “zonas críticas”.
“Será impossível retirar todas as árvores que caíram, se calhar durante este ano, mas nas zonas críticas queremos que tal aconteça e há muito trabalho que está a ser feito”, sublinhou aos jornalistas.
O governante explicou que o ministério aguarda a publicação de legislação para poder apoiar os proprietários com um montante de 40 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e constituição de Operações Integradas de Gestão da Paisagem rápidas, “num trabalho que está a ser feito por todos”.
Estão envolvidas várias entidades e ministérios “neste objetivo de acelerar ao máximo, não só para recuperar rapidamente, como para evitar novas tragédias, nomeadamente os incêndios”, adiantou.
José Manuel Fernandes garantiu que até ao início de verão tem de estar desimpedidas as florestais usadas pelos meios de combate a incêndios e destacou o “esforço brutal” do Governo para dotar de material as comunidades intermunicipais, com a entrega de 18 máquinas de rasto.
“O meu apelo é que todas as máquinas que existem sejam usadas para este objetivo”, disse o governante, referindo que apenas um desses equipamentos está atualmente em atividade.
Nos casos em que os proprietários não retirem o material lenhoso, o Governo avançou com uma alteração legislativa que permite às entidades do Estado atuar de forma que se evite os incêndios.
Questionado sobre a dimensão da devastação na região, José Manuel Fernandes reconheceu tratar-se de um cenário que “é doloroso” e que demonstra “a força da natureza e também as alterações climáticas”.
O ministro defendeu ainda que, a médio e longo prazo, será necessário adaptar a floresta e algumas infraestruturas às novas condições climáticas, apostando em espécies mais resistentes ao vento.
Relativamente às operações em curso, indicou que na região Centro estão atualmente cerca de 250 operacionais no terreno, número que deverá manter-se nas próximas semanas. No pico das operações, após a tempestade de 28 de janeiro, chegaram a estar mobilizados cerca de 900 homens.
“Isso demonstra bem a importância dos sapadores florestais, que trabalham não apenas quando há incêndios”, mas também na prevenção, sublinhou.
Os concelhos mais severamente atingidos, de acordo com a avaliação do ICNF, foram Pombal, Leiria, Marinha Grande e Batalha, na região de Leiria.







