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Utilização da Lagoa da Ervedeira pode vir a ser suspensa

Subida da água e danos provocados pelo mau tempo colocam em causa funcionamento da praia lacustre na próxima época balnear. Câmara de Leiria reúne com entidades para avaliar soluções antes da época balnear

A utilização da praia da Lagoa da Ervedeira pode vir a ser suspensa na próxima época balnear devido ao impacto provocado pela depressão Kristin e ao mau tempo registado nos últimos meses.

O elevado nível da água deixou submersos os planos de praia (areal) e partes do passadiço, a que se junta a instabilidade da área florestal confinante com a lagoa. Perante este cenário, o município de Leiria pretende acautelar todos os cenários e tem agendada, para o próximo dia 24, uma reunião com várias entidades, entre elas a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), a Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Centro e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), com o objetivo de definir prioridades e estratégias de atuação.

Em declarações ao Diário de Leiria, o vereador do Ambiente, Luís Lopes, explicou que, em último caso, poderá concluir- -se “que não há condições para haver praia e suspende-se a utilização da Lagoa da Ervedeira enquanto praia fluvial”.

Ainda assim, reconheceu que essa decisão não impediria necessariamente a presença de visitantes. “Sabemos que as pessoas vão para lá na mesma. Por isso, temos de encontrar forma de criar outras condições”, afirmou.

O autarca sublinhou que existe também uma questão legal e administrativa associada ao cumprimento do plano de praia. “A nossa dúvida é até que ponto podemos estar a hastear uma bandeira ou dizer que aquilo é uma praia quando não cumpre com o plano de praia definido legalmente. Ou seja, é mais uma questão burocrática e administrativa que queremos acautelar antes de chegar à época balnear para depois tomarmos decisões”, acrescentou.

O principal problema pren­de-se com a subida do nível da água, que deixou comprometida a zona de areia e afetou também a localização do passadiço existente, cuja eventual relocalização está agora a ser analisada.

Com o ICNF serão ainda discutidas questões de segurança na envolvente florestal da lagoa. De acordo com o vereador, alguns pinheiros na área adjacente não caíram durante os episódios de mau tempo, mas ficaram “fragilizados” e “inclinados”, situação que poderá representar risco para os utilizadores do espaço. “Alguns pinheiros não caíram, mas estão claramente em risco de queda e, com a subida das águas, ficaram ainda mais fragilizados”, explicou.

Apesar da incerteza quanto ao funcionamento da praia, a autarquia está a avançar com o processo de contratação de nadadores-salvadores como se a zona balnear viesse a funcionar normalmente. “Estamos a fazer o procedimento de contratação considerando a Lagoa da Ervedeira. Depois veremos o que vai acontecer”, afirmou Luís Lopes.

Quanto à possibilidade de uma descida do nível da água até ao início da época balnear, o autarca não se mostra otimista. “Não prevemos que as condições se alterem radicalmente para permitir sequer que fique próximo daquilo que já tivemos”, referiu.

Por isso, o município está a preparar a época balnear partindo do princípio de que o cenário atual se manterá até 6 de junho, data oficial de início da época balnear.

Mais longe vai o porta-voz do Grupo Amigos da Lagoa da Ervedeira, Virgílio Cruz, que acredita que nos próximos dois anos “não haverá condições para utilizar o espaço para lazer”, defendendo mesmo a limitação da utilização da lagoa.

“Com esta subida [das águas], as margens da lagoa estão bastante perigosas. Existe uma inclinação bastante acentuada que poderá trazer incidentes ou acidentes graves, como afogamentos por falta de ‘ter pé’”, alertou.

Para além da subida do nível da água, o responsável acrescentou ainda que algumas estruturas ficaram “inoperacionais” devido à queda de árvores sobre o passadiço.

Março 18, 2026 . 08:30

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